Ambiente 11 janeiro 2017
Em janeiro, o trabalho do agricultor é como os dias: cresce | Foto: Pedro Agricultor

“Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires nevar, põe-te a cantar.”

Por Pedro Rocha (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)*

Ouvi muitas vezes ouvi o provérbio acima mencionado. Quer dizer, simplesmente, que em Janeiro é demasiado cedo para vir o bom tempo. O verdejar referido, não é mais do que o “verdecer” dos campos. Nesta altura é natural que ainda faça frio e as sementes deixadas na terra continuem adormecidas por mais algum tempo.

Por outro lado, em Janeiro já se nota o crescimento dos dias. O agricultor deve, por isso, começar a preparar a sua terra e não esquecer que aquilo que à terra foi tirado, tem de ser devolvido. "Aquilo que não damos à terra/Planeta, a terra/Planeta tirará de nós, hoje ou amanhã./Se não o for amanhã, será um dia".

Ao crescerem, as plantas retiram nutrientes da terra e o primeiro papel e preocupação do agricultor deve ser a preservação do solo, do qual depende, e a biodiversidade no mesmo, fundamental para que seja continuamente fértil.

É, por isso, importante aproveitar este tempo de calmia para falar sobre a fertilização do solo. Essencialmente sobre três macronutrientes: o azoto (N), o fósforo (P) e o Potássio (K). A isto chama-se vulgarmente NPK e, se reparares, é comum qualquer fertilizante descrever a percentagem de NPK.

É a partir destes valores e dos cálculos de consumo de nutrientes no solo, que os técnicos calculam a quantidade de fertilizantes a aplicar. Mas a sua visão é por vezes curta, pois as plantas não necessitam apenas de Azoto, Fósforo e Potássio.

Outros nutrientes são, também, necessários e, muitas vezes, a sua presença ou reposição é esquecida. Contudo, sabemos que se a fertilização for feita de forma orgânica todos os nutrientes serão devolvidos à terra de forma mais equilibrada do que se for ela for feita com um fertilizante químico vindo de fábrica.

MÃOS À HORTA

O solo assemelha-se a um ser vivo. Sem os mico organismos, bichos, bichinhos, fungos e bicheza seria apenas um suporte físico para as plantas.

Da mesma forma que nós não seríamos seres vivos se tivéssemos apenas esqueleto.

A fertilização química pode servir à planta para que ela cresça, mas não serve a tudo o resto, pois os seres vivos que incorporam esse grande organismo vivo que é o solo dependem de matéria orgânica para sobreviver.

Ao adubar quimicamente um solo, não fazemos mais do que criar grandes desertos, onde toda a vida do solo sofrerá de fome e será extinta pela escassez de recursos.

Enriquece, por isso, o solo com matéria orgânica que irá alimentar toda a bicheza que lá se encontra. Em troca, serás presenteado com abundância de nutrientes para a plantas que lá quererás crescer e colher.

Fertiliza e cobre o solo para que esteja menos exposto ao sol, vento e chuva, que contribuem para a sua erosão. Palha e folhas são uma boa solução para o proteger e têm a vantagem de o fertilizar também.

Não descanses mais, a hora chegou e as dicas estão quase a dar a volta ao ano.

O "FAMOSO" DE JANEIRO: A CEBOLA

Bilhete de Identidade

Família: Alliaceae
Género: Allium
Espécie: Allium cepa

Origem e história

A cebola é das cultivares que terá sido domesticada há mais tempo, desconhecendo-se até a espécie silvestre desta espécie. O seu cultivo tem, pelo menos, 5000 anos, tendo a sua origem estado provavelmente na Ásia Central.

A Cultura da Cebola

Existem diferentes variedades de cebola - roxa, branca, amarela, mais redonda, mais achatada ou ovalada.

O seu cultivo deve ser feito em linha, com espaçamentos que podem variar entre os 10 e 20 centímetros, dependendo do calibre que possamos querer obter.

Pode ser facilmente consociada com as alfaces, pois o seu emparelhamento é benéfico a ambas as plantas.
A secagem da cebola serve essencialmente para a sua conservação, pelo que no cultivo caseiro, poderá ser consumida em fresco, passando assim a ocupar menos tempo na terra e possibilitando a sua cultura mais vezes ao longo do ano.

Tens dúvidas?

Podes escrever ao Pedro Agricultor para o endereço eletrónico que está no início deste artigo, indicando o nome e o local de onde escreves. Todos os meses, ele vai responder a duas ou três questões colocadas pelos leitores.

Se quiseres ouvir a versão radiofónica de "As Dicas do Pedro Agricultor para janeiro", ouve esta noite (11 de janeiro) o programa "O Som é a Enxada", da Rádio Manobras, às 22 horas, ou visita o blogue do programa, onde encontras todas as emissões passadas.

(*) Pedro Rocha nasceu em Espinho em 1976 e cresceu entre as praias da Aguda e os campos de Arcozelo. Em 2000 concluiu o Curso de Ciências do Ambiente e Poluição na Universidade de 'South Wales', no Reino Unido e, no mesmo ano, iniciou a atividade profissional na consultora alemã 'Hydroplan GmbH', sendo consultor no projeto de desenvolvimento rural em Cabo Verde. Em 2005 começou o projeto de agricultura biológica Raízes, do qual ainda é sócio. Desde 2014 que se dedica à prestação serviços como agricultor urbano e consultor, promovendo novos conceitos de relação entre consumidores e produtor. Podes saber mais sobre a colaboração de Pedro com o JORNALÍSSIMO aqui.

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Escrito por Jornalissimo
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