Atualidade 06 abril 2015
O Iémen está convertido num campo de batalha | Foto: Rod Waddington/Creative Commons

Xiitas huthis, sunitas e Al Qaeda numa assustadora guerra pelo poder com petróleo à mistura.

O que se está a passar no mais pobre dos países da Península Arábica pode ser difícil de entender com os olhos de quem vive no ocidente, num país com um governo democraticamente eleito, um sistema judicial e forças policiais organizadas. 

O Iémen parece estar a léguas de distância desta realidade. Com cerca de 25 milhões de habitantes, tem um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano e vive há décadas num clima de grande instabilidade política e económica. 

Durante 33 anos, o país foi governado por Ali Abdullah Saleh, um presidente que já tinha dificuldade em controlar todo o território. 

UMA PRIMAVERA POUCO FRUTÍFERA

Os huthis, que viviam no noroeste do Iémen, sempre se sentiram discriminados pelo poder central. Sendo muçulmanos, como a maioria dos iemenitas, eles pertencem a uma fação minoritária do Islão - são xiitas, quando a maioria da população é sunita. (podes ver a diferença entre xiitas e sunitas aqui).

Desde 2004 que os huthis lutavam para que a região onde viviam, Saada, gozasse de uma maior autonomia. 

Em 2011, a Primavera Árabe veio agravar a situação do Iémen. À semelhança do que aconteceu em muitos países muçulmanos, a população do país manifestou-se contra o governo de ditadura em que vivia, a corrupção, as más condições de vida. 

Ali Abdullah Saleh, o então presidente, foi afastado do poder e realizaram-se as primeiras eleições de toda a história do país. O vencedor foi Abd Rabbo Mansur Hadi, que era o vice-presidente do governo de Saleh. 

A CONQUISTA DE SANAA PELOS HUTHIS

As eleições de fevereiro de 2012 não serenaram, porém, o ambiente. Hadi nunca foi capaz de unir o país. Bem pelo contrário. Com ele, as divisões que já existiam acentuaram-se e o aparelho de segurança nacional ficou ainda mais debilitado. 

Estas condições favoreceram o crescimento dos grupos rebeldes e terroristas já existentes, que iniciaram uma verdadeira luta pela conquista do poder. 

Os huthis aproveitaram a situação não só para controlar a região em que viviam, Saada, como para conquistar o poder central. Em setembro do ano passado, atacaram e conseguiram conquistar a capital, Sanaa (foto acima). Pensa-se que, para tal, os huthis contaram com a ajuda do Irão, um país onde os xiitas, como eles, estão em maioria. 

UMA GUERRA DO MÉDIO ORIENTE

Em fevereiro deste ano, os huthis conseguiram mesmo que o presidente do Iémen, Hadi, deixasse a capital. Apesar de se afastar, Hadi não saiu totalmente de cena, solicitando a ajuda de outros países árabes para reconquistar o poder.

Em finais de março, vários países de maioria sunita liderados pela Arábia Saudita estão a realizar ataques aéreos no Iémen para combaterem os xiitas huthis. 

O Iémen está a tornar-se, assim, num campo de batalha onde se confrontam xiitas, por um lado, e sunitas, por outro. Mas as duas fações do Islão em confronto não são apenas as do próprio país, já que muitos outros países se envolveram nas batalhas. 

RECEIO DA AL QAEDA

Os xiitas huthis, apoiados pelo Irão, têm uma posição anti-ocidental; o presidente Hadi, com uma visão mais próxima do ocidente, é apoiado por países de maioria sunita e pelos Estados Unidos. 

Para a Arábia Saudita (velha inimiga do Irão), ter no Iémen um governo amigo é fundamental, pois dos portos iemenitas sai para exportação uma boa parte do petróleo saudita.

Há ainda outro foco de tensão na guerra que se está a viver no Iémen. O grupo terrorista Al Qaeda controla uma região no sul do país e opõe-se quer aos xiitas huthis, quer aos apoiantes do Presidente Hadi. 

O aumento da influência da Al Qaeda é outra dor de cabeça para o mundo, que receia que o Estado Islâmico venha a exercer a sua influência em mais aquela parte do globo.

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