Atualidade 13 abril 2015
Por onde passa, o Estado Islâmico deixa um rasto de destruição | Foto: Youtube/EI

Uma das hipóteses é que, ao fazê-lo, o grupo terrorista fere o que um povo tem de mais sagrado, a sua história e identidade. 

Depois das ruínas da antiga cidade de Hatra, Património Mundial da Humanidade, e das obras do museu de Mossul, o Estado Islâmico divulgou este fim-se-semana mais um vídeo em que se vê a destruição de relíquias que fazem parte da história do Iraque.

Desta vez, o alvo foram os vestígios arqueológicos de Nimrud, uma antiga cidade assíria do século XIII antes de Cristo. 

Mesmo sem mortos ou feridos, as imagens chocam pela indiferença com que homens munidos de martelos, serras, explosivos e retroescavadoras reduzem a escombros tesouros milenares que pertencem a toda a Humanidade.

Sobre a razão porque o fazem, há várias hipóteses. 

Uma é explicada pelos próprios jihadistas, que aproveitam os vídeos para transmitir a visão radical que têm do Islamismo. 

Numa interpretação fundamentalista do Corão, juntam às imagens passagens do livro sagrado. 

O Islamismo é uma religião monoteísta. Para estes muçulmanos radicais não há, no mundo, lugar para outro Deus ou ídolo de qualquer espécie, além de Alá. Daí o vigor com que empurram ou reduzem a cacos imponentes estátuas e imagens de deuses venerados pelos antigos.

É-lhes indiferente o facto de essas divindades terem sido adoradas ainda antes da existência do Islamismo, como é o caso das que atacaram no Iraque. 

Numa perspetiva mais simbólica, as imagens são, para outros historiadores, uma forma do Estado Islâmico mostrar ao mundo a sua força. 

O rasto de destruição que deixam atrás de si funcionaria, nesta ótica, como uma borracha, capaz de apagar o passado de um país e impor os valores da organização que domina já uma boa parte da Síria e do Iraque. 

Eliminado o património cultural, histórico e artístico, os radicais do Estado Islâmico destroem, também, a identidade do povo iraquiano. 

Num dos vídeos difundidos, um jihadista diz não se importar com os biliões de dólares que possam valer as relíquias em questão. 

Mas o aspeto económico é, também, visto como uma das razões para estes atentados terroristas. Pensa-se que algumas obras (ou o que resta delas) são vendidas pelo grupo extremista no mercado negro, servindo, assim, como uma forma alternativa de financiamento para a organização. 

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