Atualidade 31 maio 2016
A Venezuela está em estado de emergência - Jornal Digital para Jovens | Foto: Joka Madruga/Creative Commons

A grave crise que o país atravessa resulta de um conjunto de problemas, aqui resumidos em 5 pontos.

CRISE AMBIENTAL
O fenómeno climático 'El Niño' tem a sua "quota- parte" na situação explosiva em que hoje está mergulhada a Venezuela.
No país, 70% da eletricidade é proveniente de centrais hidroelétricas.
Ora, ao provocar uma forte seca, o 'El Niño' fez com que os rios e barragens do país ficassem com níveis muito baixos, conduzindo a uma situação de grande escassez energética.
Sem água, as hidroelétricas ficaram sem capacidade para responder às necessidades de energia do país e provocaram a paralisação de vários setores.
Para teres uma ideia, em abril, a Venezuela viu-se forçada a reduzir o horário dos funcionários públicos para apenas dois dias de trabalho. Além disso, toda a população ficou sujeita a cortes diários de eletricidade.

CRISE PETROLÍFERA
A economia da Venezuela tem como principal motor um recurso energético não renovável. O país é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e o ouro negro é o principal produto exportado pelos venezuelanos.
Com a baixa acentuada do preço do petróleo registada este ano, a Venezuela entrou numa grave crise económica.
O país enfrenta sérias dificuldades para pagar a sua dívida externa e viu-se forçado a reduzir drasticamente as importações - algo crítico para um país que importa a maior parte do que consome.

CRISE ECONÓMICA
A somar às crises ambiental e petrolífera, ou em consequência delas, a Venezuela enfrenta uma gravíssima crise económica.
Os números apontados para a taxa de inflação (aumento no nível geral de preços dos bens) variam consoante as entidades, mas todos coincidem em apontar para uma percentagem com três dígitos - há quem fale em 200%, há quem fale em 500%. (Clica aqui para acederes à Pordata e poderes comparar com a evolução da taxa de inflação em Portugal).

Para acederem a bens essenciais (quando eles existem), vendidos em lojas controladas pelo Estado, os venezuelanos são obrigados a esperar várias horas em filas. Para muitos produtos é estabelecido um limite máximo de unidades vendidas por pessoa.
Esta situação tem levado ao crescimento de um mercado paralelo, ilegal, em que os produtos são vendidos na rua a preços exorbitantes, acessíveis apenas a uma minoria da população.
Por outro lado, o Estado controla o valor de muitos bens essenciais e, ao fazê-lo, provoca por vezes grandes desajustes no mercado.
Por exemplo, o preço de produção da cana-de-açúcar aumentou a tal ponto que desincentivou os produtores do país a produzi-la, optando por outras culturas.
A Coca-cola anunciou recentemente a suspensão da produção da bebida no país por causa da escassez de açúcar.

CRISE POLÍTICA
É impossível falar na situação preocupante da Venezuela sem referir, também, os problemas políticos. O sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro tem sido alvo de uma fortíssima contestação.
Quase dois milhões de venezuelanos assinaram no início do mês uma petição com vista à realização de um referendo sobre a continuação de Maduro no poder, mas o governo está a travar realização deste ato.
Verifica-se uma mistura de poderes, com o poder político a interferir repetidas vezes no poder judicial.

CRISE HUMANITÁRIA
A soma das crises anteriores resulta numa grave crise humanitária. As imagens que chegam da Venezuela mostram frigoríficos vazios, protestos intermináveis e são acompanhadas por relatos de jornalistas que informam sobre a falta de bens de primeira necessidade.
Há fome, faltam medicamentos e produtos de higiene básicos em hospitais.
A situação explosiva conduziu a um aumento do nível de criminalidade, já por si elevado. Em 2015 houve quase 28 mil homicídios no país.

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