Dicas 06 dezembro 2016
A imagem típica do Porto tira-se do lado de Gaia | Foto: D.R.

Que o Porto é Património Mundial toda a gente sabe. Mas sabes como o descobrir? Deixamos-te uma sugestão de visita.

Acabaste de chegar ao Porto com mochila às costas ou mala de rodinhas atrás? Damos-te duas sugestões: guarda a bagagem na Estação de Metro Trindade ou na Gare de São Bento. Em alternativa, começa por fazer o ‘check-in’ na Pousada de Juventude, um edifício moderno, localizado a “dois passos” do Rio Douro, numa zona calma, a meio-caminho entre o centro histórico e a zona da Foz. Deixa a mala e sai de mapa na mão.


Aproveita toda essa energia de quem tem uns dias de lazer e dirige-te ao centro histórico, esse postal ilustrado que a UNESCO classificou como Património Mundial e à volta do qual há um sem-número de referências: o vinho (pois claro!), a gastronomia, as pontes, a arquitetura antiga e contemporânea.

Esperemos que fiques por dois ou três dias. Menos será pouco para conheceres tudo. Vamos a isto! Inicia a tua viagem pela “sala de visitas” da cidade, a Avenida dos Aliados. A imponência do conjunto arquitetónico impressiona. Repara como todos os edifícios são de granito e como muitos deles são coroados de lanternins, cúpulas e coruchéus.

Bem perto, são locais de paragem obrigatória a Estação de São Bento (desfruta dos seus belos painéis de azulejos) e a Torre dos Clérigos. Sobe 140 degraus por uma escada em espiral até chegares ao cimo deste ‘ex-libris’ da cidade e poderes admirar uma vista extraordinária lá do alto.

 

À saída vai ao encontro da Livraria Lello e vê se a escadaria não te faz lembrar nenhuma parte do universo do ‘Harry Potter’… J.K. Rowling, a autora da saga, viveu no Porto durante alguns anos e a cidade inspirou-a na criação desse universo fantástico. Já pensaste como a capa de ‘Harry Potter’ é parecida com a dos estudantes universitários?

Por esta altura, talvez o teu estômago já esteja a sentir falta de alimento. À tua volta, o que não falta são tascas e lugares onde petiscar. Se provares uma francesinha, apostamos que ficas rendido a um dos mais famosos pratos portuenses. Para sobremesa, prova um ‘éclair’ da Quinta do Paço, o ícone doce da cidade.

Depois vai até à Rua de Santa Catarina, uma das mais movimentadas. Ali, onde viveram alguns escritores e poetas famosos (como António Nobre, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro), encontras muitas lojas, cafés, vendedores de rua. Nesta altura, com certeza que o cheiro a castanhas assadas se vai tornar irresistível. O Majestic é um clássico. Tens de espreita-lo pelo menos e apreciar o estilo Arte Nova.

Da elegância do Café Majestic segue para o popular Mercado do Bolhão, duas caras da mesma cidade, dois locais de visita obrigatória. No mercado, conversa com as vendedoras, ouve os pregões e desfruta de um Porto popular e autêntico.

Um pequeno teste… Reparaste bem nos painéis de São Bento? Que reis estavam representados num deles? Está na altura de conhecer a Sé do Porto, onde eles se casaram. D. João I e D. Filipa de Lencastre casaram na Sé Catedral, um dos mais antigos monumentos de Portugal, na cidade que deu nome ao nosso país, o Porto (Portus Cale).

Da Sé desce pelas vielas até à Ribeira, que a UNESCO classificou como Património Mundial. Pelo caminho, aprecia a roupa que seca nas janelas, ouve a música que se solta de dentro das casas, vê os miúdos que ainda jogam à bola na rua.

A Ribeira é um dos locais mais característicos da cidade, onde podes tirar bonitas fotografias. Por aqui, tens a Praça do “Cubo” (autoria do escultor portuense José Rodrigues, recentemente falecido), a Casa do Infante (de visita obrigatória para quem gosta de História), a Igreja de São Nicolau, a Capela de Nossa Senhora do Ó, a Feitoria Inglesa, o Palácio da Bolsa com o seu emblemático Salão Árabe.

Atravessa a ponte D. Luís I para o cais de Vila Nova de Gaia e aprecia a vista num passeio de teleférico ou numa viagem pelo rio Douro, num dos característicos barcos Rabelos. As letras gigantes que vês sobre o casario são de diferentes marcas do vinho do Porto. Há muitas caves abertas a turistas, onde podes ficar a conhecer toda a história e o percurso do vinho que leva o nome do Porto a todo o mundo. Todas incluem uma pequena prova de vinhos no final.

Se a hora de jantar tiver chegado entretanto, experimenta o Bacalhau ou as Tripas à Moda do Porto.

E para sair? Para sair à noite tens de voltar ao centro. A "movida” portuense concentra-se hoje em várias ruas que ficam perto dos Clérigos, como a Rua Galeria de Paris ou a Rua Cândido dos Reis. Estas são só duas. A partir daqui segue o movimento e verás que a noite do Porto se espalha hoje por todo o centro histórico. Mesmo no Inverno, o ambiente aquece ao ar livre e os bares transbordam de pessoas que, indiferentes às temperaturas, se divertem a beber um copo e a conversar com os amigos no exterior. 

Se fores estudante, não deixes de dar um salto ao "Piolho". Sim, até à noite se pode fazer turismo cultural! Este café (o nome verdadeiro é Café Âncora d'Ouro), na Praça dos Leões (vais perceber porque é conhecida por este nome ao chegar lá, o nome oficial é Praça Parada Leitão) tem uma história longa. Há mais de cem anos que gerações e gerações de estudantes da Universidade do Porto o elegem como ponto de referência. Com mais de cem anos de idade, o "Piolho" não é um café propriamente bonito, mas é histórico por várias razões. Os estudantes são uma (repara nas placas que estão nas paredes deixadas por antigos alunos). A outra é que pensa-se que foi no "Piolho" que houve a primeira máquina de fazer café chamada "La Cimbali". A marca italiana haveria de batizar o "café" no Porto. Se pedires "um cimbalino" na "Invicta" toda a gente sabe o que é.  

Depois de uma noite bem passada, desfruta de um pequeno-almoço na Pousada, já incluído com o alojamento. Quando saíres, segue em direção à Foz do Douro (a uns 15 minutos a pé da Pousada), percorre o passeio marítimo, que começa no Castelo de São João da Foz e se estende até Matosinhos.

Na “fronteira” entre o Porto e Matosinhos, encontras o Parque da Cidade, uma grande mancha verde que chega junto ao mar, ideal para dar um passeio ou fazer desporto. Podes também visitar o ‘Sea Life’ e passar num túnel debaixo do aquário principal, vendo os peixes de baixo para cima. Se em vez de observar o mar preferires meter-te dentro dele, em Matosinhos, no extenso areal, há várias escolas que te proporcionam uma aula de surf ou de SUP.

Daqui toma o sentido da Boavista. Pelo caminho, encontrarás a Fundação Cupertino de Miranda (tem exposições temporárias, concertos e o Museu do Papel Moeda). Para a Fundação de Serralves e o seu Museu de Arte Contemporânea, obra do arquiteto Siza Vieira, basta fazer um pequeno desvio.  Além das exposições, não te esqueças de visitar o enorme Jardim e a Casa de Serralves, do arquiteto Marques da Silva, exemplo único da arquitetura ‘Art Déco’ em Portugal. O Jardim é espetacular. Não por acaso foi galardoado com o prémio ‘Henry Ford Prize for the Preservation on the Environment’, em 1997.

 

Junto à rotunda da Boavista, encontras a Casa da Música, projeto concebido pelo holandês Rem Koolhaas. Há quem diga que parece um ‘ovni’ que aterrou ali no meio da cidade. Para bem dos amantes de música (há sempre concertos de variadíssimos estilos) e dos amantes de skate, que se apropriam dos entornos inclinados.

Para finalizar o dia, destacamos novamente a gastronomia. Perto da Boavista, tens o renovado Mercado do Bom Sucesso com dezenas de banquinhas que servem comidas e bebidas várias. Se o corpo já estiver a pedir descanso, volta à Pousada. Na zona envolvente tens restaurantes e podes fazer um brinde ao Porto enquanto aprecias o pôr-do-sol sobre a foz do rio Douro.

Quando tiveres oportunidade garantimos que vais querer regressar… Ainda ficou muito por ver! Como ouvirás um “tripeiro” dizer: “O Porto é uma ‘naçon’, carago”. Boa Viagem!

Pousada de Juventude do Porto
Preço por pessoa/noite: a partir de €13, com pequeno-almoço incluído

(*) Este artigo foi escrito no âmbito da parceria entre o Jornalíssimo e as Pousadas de Juventude. Todas as terças publicamos um artigo sobre uma Pousada diferente.

 

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Escrito por Jornalissimo
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