História 15 julho 2016
I Congresso Nacional de Turismo | Foto: O Século

No regime do Estado Novo já se dava importância ao turismo e Portugal beneficiou dos conflitos que se viviam noutros países da Europa.

Por Cândida Cadavez* - Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa

1936 foi um ano significativo para a indústria turística portuguesa. Os jornais generalistas e as revistas da especialidade publicam inúmeros artigos sobre excursões, passeios ao Algarve e à Serra da Estrela, a criação de novas infraestruturas hoteleiras, e ainda acerca da organização de diversas reuniões relacionadas com o sector, como a da 'Alliance Internationale de Tourisme' e a Reunião Magna do Conselho Nacional de Turismo.

Porém, o acontecimento mais relevante foi o I Congresso Nacional de Turismo, que decorreu em Lisboa. Tratou-se do evento que agregou, até essa data, o maior número de participantes numa reunião dessa natureza, o que é elucidativo quanto à importância que o Estado Novo atribuía ao turismo.

O encontro foi proposto por Raul da Costa Couvreur, o representante da Sociedade de Propaganda de Portugal no Congresso de Automobilismo e Aviação Civil, que teve lugar no Porto, em 1934. Segundo Couvreur, o congresso teria como propósito analisar o turismo nacional e reunir um conjunto de planos e estratégias, que seria, no final, entregue aos governantes para que o avaliassem e implantassem, se tal resultasse “a bem da nação”. 

Entre outras motivações, o governo encorajava o desenvolvimento turístico em território nacional, justificando que o crescente sucesso da atividade refletia as alegadas ordem e estabilidade sociais ausentes do resto da Europa. Os conflitos existentes à época em locais tradicionalmente ligados ao sector, como Espanha, França ou Suíça, por exemplo, acabaram por permitir que Portugal se tornasse um destino escolhido por quem insistia em viajar numa década de conflitos, o que, à luz da ideologia salazarista, demonstrava como esta era uma “Nação” protegida e diferente das outras.

Quase cento e oitenta congressistas reuniram-se entre 12 e 16 de Janeiro de 1936 em torno de um programa que, além das sessões de trabalho, incluiu diversos passeios por Lisboa, Sintra, Cascais e Estoril. Figuras proeminentes do Estado Novo, como Carmona, Salazar e António Ferro, fizeram parte das diversas comissões do congresso que se despediu num jantar de encerramento no Estoril. 

Os jornais cobriram exaustivamente todos os momentos do encontro, em particular as sessões temáticas que decorreram na Sociedade de Geografia de Lisboa e que abordaram temas como a necessidade de ampliar a oferta turística, de construir estradas de turismo, de regular o sector ou de melhorar a formação.

FOTOS: O Século, 19 de Agosto de 1936: 4

(*) Este artigo foi escrito no âmbito da parceria entre o Laboratório de História - do Instituto de História Contemporânea (IHC), da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa - e o Jornalíssimo, com coordenação de Ana Paula Pires, Luísa Metelo Seixas e Ricardo Castro.

 

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