História 15 março 2017
Enfermeira da Cruz Vermelha Portuguesa faz um curativo a um ferido de guerra. Foto: Ilustração Portuguesa

A historiadora Margarida Portela recorda o tratamento dado aos combatentes na I Guerra Mundial.

Por Margarida Portela (*)

Numa época em que o conflito bélico, iniciado em 1914, levara ao desenvolvimento de armamento cada vez mais moderno, em pleno coração da Europa, médicos, enfermeiros e maqueiros velavam pelos seus combatentes, na perspectiva de salvá-los da doença e do ferimento, da mutilação e da morte. A Medicina, fomentada pela própria guerra, procurava soluções para os mais variados fenómenos, do gaseamento à mutilação, passando pelo «pé de trincheira», doença fomentada pelas frequentes condições de insalubridade.

No início de 1917, Portugal enviará o Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) para França e, com ele, um Serviço de Saúde que contará com uma vasta equipa médica, que cuidou dos militares no local, evacuando-os sempre que necessário. De regresso ao país, poderiam continuar a receber os seus tratamentos em hospitais nacionais. Quanto aos que vinham mutilados, iniciaram-se igualmente tentativas diversas de tratamento e reinserção social destes homens, o que era bastante inovador em Portugal.

O sistema organizado pelo Serviço de Saúde do C.E.P. tinha início nas trincheiras e terminava nas unidades médicas da Base. Nas trincheiras existiam Postos de Socorro Avançados, os quais recebiam doentes e feridos e, se necessário, os encaminhavam para os Postos de Socorro, onde clínicos podiam decretar a sua evacuação para as Ambulâncias. Menos rudimentares, estas encontravam-se a uma maior distância da frente de combate, consistindo em pequenas unidades hospitalares detentoras de mobilidade, pelo que podiam mudar de local, acompanhando as zonas de combate.

Ali se encontravam médicos mais especializados, que podiam proceder a internamentos e cirurgias mais complexas. Casos mais graves eram evacuados para a retaguarda, primeiro para um Hospital de Sangue (sendo que o C.E.P. tinha dois), e se necessário para o Hospital da Base nº 1 ou para o Hospital da Base nº 2. E, quando necessário, também se internavam soldados portugueses em hospitais ingleses.

Unidades de maior dimensão, os Hospitais da Base tornaram-se local de trabalho para os especialistas, agregando equipas de cirurgiões renomados, mas também de radiologistas, venereologistas e até mesmo oftalmologistas, entre outras especialidades. Ali tratavam de doenças e ferimentos graves, mas também de casos de doença prolongada, como gaseamentos, sífilis e gripe – tendo recebido variadíssimos casos de Pneumónica em 1918, flagelo que assolaria o mundo e que, no final, ceifaria mais vidas que a própria Primeira Guerra Mundial.

FOTOS:

1) Enfermeira da Cruz Vermelha Portuguesa faz um curativo a um ferido de guerra. In: Ilustração Portuguesa, série II, nº. 603, Lisboa, 10 de Setembro de 1917, p. 217

2) O transporte de um operado de uma ambulância na retaguarda para local de convalescença. In: Portugal na Guerra. Revista Quinzenal Ilustrada. Ano 1, nº 7, Dezembro de 1917, p. 10

3) Conduzindo um ferido a um posto de socorro. In Portugal na Guerra. Revista Quinzenal Ilustrada. Ano 1, nº 7, Dezembro de 1917, p. 10

(*) Este artigo foi escrito no âmbito da parceria entre o Laboratório de História do Instituto de História Contemporânea (IHC), da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa - e o Jornalíssimo, com coordenação de Ana Paula Pires, Luísa Metelo Seixas e Ricardo Castro.

 

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Escrito por Jornalissimo
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