Tecnologia 27 abril 2016
Ainda há poucas mulheres em profissões relacionadas com as novas tecnologias | Foto: Annie Mole/Creative Commons

A propósito do Dia Internacional das Mulheres nas TIC que se assinala na quarta quinta-feira de abril.

1) O Dia Internacional das Mulheres na Tecnologia foi criado em 2010 pela ITU - 'International Telecommunication Union' (União Internacional de Telecomunicações) -, uma agência das Nações Unidas especializada em tecnologias de informação e comunicação. Celebra-se sempre na quarta quinta-feira do mês de abril;

2) A razão de ser deste Dia Internacional, celebrado um pouco por todo o mundo, é sobretudo esta: encorajar mais jovens do sexo feminino a seguirem uma carreira no campo das tecnologias da informação e da comunicação, como podes ler no site oficial do GirlsinICT, onde também encontras as iniciativas que decorrem no âmbito deste Dia em todo o mundo; 

3) Segundo dados da Comissão Europeia, há cerca de 7 milhões de pessoas a trabalhar no sector das ICT ('Information and Communication Technologies') ou TIC, em português, e apenas 30% são mulheres. Além disso, as mulheres estão sub-representadas em todos os níveis deste sector e, em particular, nos lugares de topo de carreira. Um estudo de 2013 ('Women active in the ICT sector') mostra que, em cada 1000 mulheres licenciadas, apenas 29 o são nesta área; 

4) O sector das tecnologias da comunicação e informação está em forte crescimento. A Comissão Europeia estima que, todos os anos, sejam criados 120 000 novos postos de trabalho neste ramo e que, em 2020, poderá haver uma falta de cerca de 900 000 trabalhadores especializados nesta área;

5) A União Europeia atribui um prémio anual a mulheres responsáveis por projetos inovadores, o 'EU Prize for Women Innovators'. Na edição deste ano, 2016, houve três vencedoras, entre as quais uma portuguesa da área das novas tecnologias: Susana Sargento, cofundadora da empresa Veniam, uma 'spin-off' das Universidades de Aveiro, Porto e do Instituto de Telecomunicações, dedicada ao desenvolvimento de tecnologia para criar a chamada "Internet em movimento", tirando partido da conectividade entre veículos, objetos móveis e utilizadores para ampliar a cobertura de rede WiFi, a custos reduzidos (se moras no Porto, foi a empresa responsável pelo STCP free WiFi); 

6) O primeiro 'European Celebration of Women Computing' decorreu este mês em Bruxelas e juntou 400 mulheres a trabalhar neste sector, de toda a União Europeia, para aprender, partilhar experiências e criar contactos. A organização é do 'European Centre for Women and Technology' (ECWT), que se dedica a promover ações que ajudem a aumentar a participação das mulheres na educação, empreendedorismo, emprego e liderança nas TIC até 2020. Na página oficial da ECWT podes subscrever uma 'newsletter';

7) A "Igualdade entre sexos e a valorização da mulher" é um dos oito "Objetivos de Desenvolvimento do Milénio", estabelecidos pela ONU em 2000; 

8) Acredita-se que uma maior presença das mulheres contribui para a melhoria da economia (e cada vez mais ouvimos falar em "economia digital"). Esta ideia foi bem traduzida numa frase do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que afirmou: "A igualdade das mulheres não é só um direito humano essencial, é um imperativo social e económico. Onde há mulheres educadas e empoderadas, as economias são mais fortes e produtivas. Onde as mulheres estão bem representadas, as sociedades são mais pacíficas e estáveis". Em 2011, dois organismos dos Estados Unidos, o 'United States National Research Council' e a 'National Science Foundation' consideraram a aposta nas STEM (um acrónimo, em inglês, de 'Science, Technology, Engineering and Mathematics', muito utilizado no âmbito de políticas educativas) fundamental para sociedades avançadas em termos tecnológicos; 

9) Várias mulheres conquistaram já um lugar na História da Tecnologia - neste artigo do Canaltech.com.br, podes ficar a conhecer dez. Entre elas está a freira norte-americana Mary Kenneth Keller, a primeira a doutorar-se em Ciências da Computação, em 1965, na Universidade Washington; 

10) Em 2005 uma engenheira, Sarah Blow, farta de estar sozinha, entre homens, em eventos relacionados com tecnologia, em Londres, decidiu criar os 'Girl Geek Dinners', para reunir outras mulheres apaixonadas por tecnologia num ambiente informal. O evento espalhou-se pelo mundo, chegou a Portugal em 2010, por iniciativa de uma engenheira informática do Porto, Vânia Gonçalves, e há grupos a dinamizar este evento em seis cidades: Porto, Lisboa, Guimarães, Braga, Coimbra e Leiria.

SE TE INTERESSAS POR ESTE TEMA NÂO PERCAS A ENTREVISTA COM A ENGENHEIRA INFORMÁTICA VÂNIA GONÇALVES: "Faz todo o sentido encorajar jovens raparigas para as TIC"

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