A Terra virada do avesso

Graças a uma espécie de ‘TAC’ planetário um dia destes veremos um mapa 3D do interior do nosso planeta.

Temos os pés assentes na Terra, mas, por baixo deles, muitos mistérios continuam por revelar. Parece mais fácil chegar a Marte do que às profundezas do nosso planeta.

Até hoje, o máximo que o Homem conseguiu escavar foram os 12 262 quilómetros do “Buraco de kola”, em 1989, na Rússia. Uma curiosidade: a Fossa das Marianas, o ponto mais profundo dos oceanos (no Pacífico), fica a 11 quilómetros de profundidade.

Sabendo que a distância da superfície até ao centro da Terra é de cerca de 6400 quilómetros, 12 quilómetros não passam, portanto, de uma arranhadela.

Se as elevadas temperaturas travaram a perfuração terrestre, os supercomputadores, aptos para analisar milhões de dados por segundo, mostram-se capazes de revelar a estrutura do que se esconde por baixo de nós com grande precisão.

É nisso que está a trabalhar uma equipa da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Propõe-se fazer um mapa 3D dos 3000 quilómetros abaixo da superfície terrestre. Basicamente todo o manto, até chegar ao núcleo. (Na imagem de abertura deste artigo vê-se o manto por baixo do Pacífico)

Além dos supercomputadores, como o Titan (do Departamento de Energia do ‘Oak Ridge National Laboratory’, no Tennessee), os tremores de terra estão a dar, também, uma grande ajuda.

As ondas sísmicas fornecem informações preciosas aos geofísicos sobre o que se passa no manto terrestre – do tipo de rocha à presença de magma, passando por depósitos de petróleo.

A equipa, que tem ao leme o geólogo Jeroen Tromp, está a trabalhar com ondas sísmicas de 3000 terramotos de magnitude 5,5, registadas por milhares de estações sísmicas de todo o mundo.

Os primeiros estudos já permitiram “espreitar” a Terra até uma profundidade de 560 quilómetros.

Neste momento, deves estar a perguntar para que serve um mapa do interior da Terra, sabendo-se de antemão que o ser humano nunca o vai poder visitar.

Além de permitir conhecer as suas caraterísticas, um mapa deste género pode – julgam os cientistas – ajudar a perceber melhor fenómenos naturais, como tremores de terra ou erupções vulcânicas, e talvez, ajudar a prevê-los.

A equipa simplifica-nos a compreensão do que está a fazer, ao dizer que o seu trabalho é equivalente a uma Tomografia Computorizada (TAC): uma série de imagens de um segmento do corpo (de uma dimensão bem maior neste caso), capturadas com técnicas não invasivas, permitem a criação de uma imagem de conjunto 3D.

Assim até parece fácil.

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