As dicas do Pedro Agricultor para Julho

Enquanto uns se preparam para ir à praia, o agricultor não tem descanso: “Julho quente, seco e ventoso, trabalha sem repouso.” 

Por Pedro Rocha (pedroagricultorurbano@gmail.com)*

Diz o ditado que “ao quinto dia verás que mês terás”, o que muito influenciará o arranque das nossas colheitas. Sim, esta é a grande época da colheita e quem plantou batatas em Março, já as poderá colher em Julho. Não há tempo a perder para que a terra fique pronta a receber os nabos e os grelos que o inverno dará. As cores na paisagem começam a mudar de tom, passando de verde-claro para verde-escuro e algumas plantas em fim de ciclo, tombam tornando a paisagem dourada. Assim se completa o ciclo natural de muitas plantas. 

Nas árvores de fruto podemos colher já algumas peras e as maçãs já as vemos bem nas árvores. 

Batata, cebola, abóboras, milho ou outros cereais estão quase prontos a colher. É a altura perfeita para limpar bem o nosso armazém ou celeiro. 

Para fazer um bom armazenamento natural, devemos escolher um local fresco e escuro. Para o armazenamento da batata podemos recorrer a ramos frescos de eucalipto para as proteger da traça da batata, não havendo qualquer necessidade de recorrer a químicos.

Entre as colheitas que se aproximam e as culturas que é necessário instalar para o Outono e Inverno, esta é a altura do ano mais intensa. E já por isso o ditado diz: “De verão não te poupes e de inverno não te mates”.

As colheitas irão gerar vários resíduos verdes, que podem ser compostados – rama da batata, canas do milho, caules de couves, etc. Podes, por isso, preparar um local para acolher todos esses resíduos que ao serem compostados serão usados como fertilizante no ano seguinte.

Assim é quando está bom tempo: de sol a sol, no campo há sempre que fazer e com um bom protetor solar, fica-se com um moreno de meter inveja… Ninguém nota que não fomos à praia!

MÃOS À HORTA

Durante este mês cuida das sementeiras que fazes em tabuleiro ou alfobres, que todos os dias precisam de rega para que as plantas se desenvolvam bem e possam ser transplantadas. Semeia alface, brócolo, couve penca e outras couves.

Diretamente no campo, continua a semear cenoura, rabanetes e feijão-verde. Podes, ainda, continuar a meter à terra alface, couves, cebola, pepino e pimento. Desta forma vais garantindo uma maior continuidade na produção.

Não te esqueças de ter muita atenção à rega. De preferência faz a rega ao fim do dia, evitando perder água por evaporação e regando junto ao pé da planta para reduzir a probabilidade de doenças.

COMPOSTAGEM

Os resíduos orgânicos não são lixo, mas sim um recurso valioso para a reposição de nutrientes no solo. Para cada quilo de legumes na horta, é necessária uma determinada quantidade de nutrientes, que devem ser repostos para manter a fertilidade do nosso solo.
Uma das formas de reposição parcial desses nutrientes é compostar todos os resíduos orgânicos (verdes) produzidos na horta e na nossa cozinha (não incluir carne, peixe, ossos e espinhas).
A compostagem deve ser feita através de um processo aeróbico, ou seja, na presença de oxigénio. Por isso, é muito importante criar uma boa cama com paus e mato, de forma a garantir o arejamento de toda a pilha. Entre muitas outras fontes podem consultar o Guia Prático de Compostagem Caseira do Geota.

O “FAMOSO” DE JULHO: O FEIJÃO-VERDE

 

Bilhete de Identidade
Família: Fabaceae
Género: Phaseolus
Espécie: Phaseolus vulgaris

Origem e história
Uma vez mais a região da América Central está na origem desta espécie hortícola. A espécie é cultivada no continente americano há 8000 anos, sendo utilizada na consociação milenar de abóbora, milho e feijão. A introdução na Europa terá acontecido no início do século XVI.

A Cultura do Feijão
Esta espécie inclui uma ampla variedade de sementes, grandes, médias e pequenas, com plantas tanto rasteiras, como de trepar. Esta última característica é de particular importância na instalação da cultura, definindo a necessidade ou não de instalar uma estrutura de apoio ao crescimento da planta.
Na consociação do milho com o feijão, é a cana do milho que serve de tutor, mas se o feijão for semeado isoladamente existe a necessidade de criar uma estrutura de apoio, com canas, fios ou rede.
Podes semear o feijão em linha com um espaçamento de cerca de 15 a 20 centímetros entre plantas. Para uma germinação melhor, podes ainda colocar a semente em água um dia antes de semear, mas isso não dispensa que uma rega regular seja feita durante a instalação da cultura.

Um segundo aspeto importante, que interfere na forma como gerimos a rega, é a finalidade da produção. Quero dizer que o feijão pode ser produzido com a finalidade de ser colhido em verde (vulgarmente chamado de feijão-verde ou vagem) ou ser produzido para feijão-seco.
Neste último caso, quando o feijão estiver bem crescido a rega pode ser cortada de forma a induzir mais rapidamente a produção de flor, mas logo de seguida não pode faltar água durante o crescimento da vagem. Novamente, quando a vagem e feijão estiverem bem criados a rega pode ser cortada, para acelerar o processo de secagem do feijão.

O feijão é particularmente suscetível ao vulgar pulgão por isso deves ter sempre à mão uma solução de sabão de potássio para tratamento. O sabão de potássio é um produto autorizado em Agricultura Biológica.

Tens dúvidas?
Podes escrever ao Pedro Agricultor para o endereço eletrónico que está no início deste artigo, indicando o nome e o local de onde escreves. Todos os meses, ele vai responder a duas ou três questões colocadas pelos leitores.

Se quiseres ouvir a versão radiofónica de “As Dicas do Pedro Agricultor para Abril”, ouve esta noite (6 de julho) o programa “O Som é a Enxada”, da Rádio Manobras, às 22 horas, ou visita o blogue do programa, onde encontras todas as emissões passadas.

(*) Pedro Rocha nasceu em Espinho em 1976 e cresceu entre as praias da Aguda e os campos de Arcozelo. Em 2000 concluiu o Curso de Ciências do Ambiente e Poluição na Universidade de ‘South Wales’, no Reino Unido e, no mesmo ano, iniciou a atividade profissional na consultora alemã ‘Hydroplan GmbH’, sendo consultor no projeto de desenvolvimento rural em Cabo Verde. Em 2005 começou o projeto de agricultura biológica Raízes, do qual ainda é sócio. Desde 2014 que se dedica à prestação serviços como agricultor urbano e consultor, promovendo novos conceitos de relação entre consumidores e produtor. Podes saber mais sobre a colaboração de Pedro com o JORNALÍSSIMO aqui.

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