O comportamento das orcas intriga os cientistas.

A assustadora brincadeira das orcas juvenis

O ataque destes cetáceos a barcos na costa da Península Ibérica pode ser pura diversão.

A história tem intrigado de biólogos a marinheiros: desde o último Verão, têm sido várias as notícias de veleiros atacados por orcas ao largo das costas portuguesa e espanhola.

O que surpreende quem conhece estes animais de grande porte é que, apesar de serem conhecidos por “baleias assassinas”, eles nunca representaram qualquer ameaça para o homem.

No que toca a preferências gastronómicas, as orcas, sendo carnívoras, como nós, apreciam sobretudo criaturas marinhas, de atum a polvos, de camarões a pinguins.

Exímias predadoras

Saciar a fome não costuma ser problema para estes cetáceos de grandes dimensões da família dos golfinhos (apesar da alcunha, não pertencem à família das baleias, embora sejam também cetáceos), que chegam a ter nove metros de comprimento e ultrapassar as cinco toneladas de peso.

De facto, as orcas têm fama de serem umas predadoras exímias. Tal como os cachalotes, dispõem de um sofisticado sistema de localização das suas presas, emitindo sons e interpretando o eco que é produzido para as encontrar.

Além disso, vivendo em família e conseguindo comunicar entre si, têm facilidade em combinar ataques em grupo às suas presas.

Atraídas pelo movimento

Sendo assim, porque andam as orcas a atacar barcos na costa da península Ibérica, de Gibraltar até à Corunha?

Ao fim de alguns meses e de mais de 40 acidentes registados, os investigadores que têm estudado estes casos inclinam-se para uma explicação surpreendente: “as orcas estão simplesmente a brincar”, dizem.

Os vídeos recolhidos por quem passou por estas experiências assustadoras permitiram aos investigadores concluir que as orcas envolvidas na maioria dos ataques são apenas, três tendo em comum o facto de serem jovens e machos.

Outra curiosidade que os cientistas descobriram foi que estas orcas se mostraram especialmente atraídas pelos lemes dos barcos, “possivelmente por se movimentarem”, afirma Ruth Esteban em declarações à BBC.

Em vez de “ataque”, “interação”

Esta bióloga marinha, que fez o doutoramento sobre orcas e faz parte do grupo de investigadores que está a estudar estes casos, mostra-se preocupada que se fale em “ataques” de orcas a barcos. Prefere que se use o termo “interação”.

Embora reconhecendo o quão assustador possa ser passar por uma experiência como estas, Ruth recorda que a linguagem desadequada pode levar a uma perseguição das orcas, que já correm perigo de extinçao.

Entretanto, há já recomendações dos peritos a quem tenha a infelicidade de se cruzar com estas criaturas jovens e brincalhonas algures no Atlântico. Para evitar que as interações ocorram recomendam que, se avistarem orcas, apaguem de imediato o motor, recolham as velas e tentem passar o mais despercebidos possível.

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