Na Austrália, gatos e raposas europeus são um problema

Os cientistas perceberam finalmente o motivo da extinção de tantas espécies nativas.

Era um mistério que há muito tempo intrigava os australianos: tendo o país preservado intacto uma grande parte do seu deserto, como se explicava que houvesse tantas espécies de animais autóctones em risco de extinção ou já desaparecidas?

A resposta ao enigma foi publicada agora numa revista científica, a “Proceedings of National Academy”. Nela, um grupo de cientistas divulga o estudo que realizou, segundo o qual o problema remonta a 1788.

Nesse ano, os primeiros colonizadores europeus chegaram ao continente, levando com eles dois animais estranhos naquelas paragens: gatos selvagens (aliados dos marinheiros no combate aos ratos a bordo dos navios) e raposas vermelhas, para a caça.

Os investigadores defendem que as raposas e os gatos europeus se espalharam por todo o território, alimentando-se dos pequenos mamíferos locais. Ilustram esta tese com o facto de alguns animais que dantes existiam por toda a Austrália, agora só se encontrarem em ilhas não colonizadas por raposas e gatos selvagens.

No mesmo artigo, pode ler-se que 11 por cento das 273 espécies de mamíferos australianos desapareceram e 21 por cento correm risco de extinção. 

A teoria defendida pelos especialistas ajuda a explicar, também, por que estava o país da Oceânia em contraciclo com o resto do mundo, onde os mamíferos de grande tamanho são os mais ameaçados. As presas ideais para raposas e gatos são de pequena dimensão. 

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