Os cães entendem algumas palavras e a forma como as dizemos

Não é nada de surpreendente para quem tem um “boby” em casa, mas não são donos, são cientistas a dizê-lo. E a prová-lo.

Se tens um animal de estimação, de certeza que, em algum momento, já alguém se riu de ti por dizeres que ele te entende, uma ideia comum a quem tem um cão ou gato como membro da família.

Da próxima vez que isso acontecer, podes sustentar o que dizes com um estudo científico.

Na Hungria, no Departamento de Etologia da ‘Eötvös Loránd University’, existe um grupo de investigação que, desde 1994, se dedica ao estudo do comportamento e dos aspetos cognitivos do cão doméstico.

 

A última descoberta deste grupo, o ‘Family Dog Project’, publicada esta semana na revista ‘Science’, revela que os cães são mais parecidos com os humanos em questões de compreensão linguística do que à partida se poderia supor.

A equipa chegou a estas conclusões com a ajuda de um scanner e 13 cães (seis ‘border collies’, cinco ‘golden retrievers’, um pastor-alemão e um cão de crista chinês).

 

Para levar a cabo o estudo, foi necessário, primeiro, ensinar os animais a ficarem completamente imóveis dentro de um ‘scanner’ de ressonância magnética funcional durante oito minutos. O ensino foi feito sem qualquer tipo de punição, apenas recorrendo a comida e técnicas de sociabilização, como revelou uma das investigadoras, Marta Gacsi, ao jornal ‘The Washington Post’

Só assim foi possível à equipa medir a atividade cerebral dos cães e perceber quais as partes do cérebro que são, por eles, ativadas ao ouvirem algumas palavras ditas pelo seu treinador, com entoações diferentes.

Quando estavam no interior da máquina, os animais ouviram palavras de elogio ditas em tom de elogio, palavras de elogio ditas com uma entoação neutra e palavras sem sentido para eles, ditas tanto em tom de elogio como em tom neutro”.

As imagens do cérebro dos 13 cães registadas pelo ‘scanner’ permitiram saber que os canídeos usam o hemisfério esquerdo do cérebro para processar palavras com sentido, independentemente da entoação, e o hemisfério direito para distinguir os diferentes tons de voz. “Isto é muito parecido com o que faz o cérebro humano”, comenta Attila Andics, um dos autores do estudo.

E, tal como nós, humanos, os cães foram também capazes de integrar a informação vinda de ambos os hemisférios cerebrais, de modo a chegar a uma interpretação correta do significado.

Os elogios só ativaram o centro de recompensa cerebral (a parte do cérebro que responde a estímulos de prazer como a comida ou o carinho, tanto nos seres humanos como nos cães) quando as palavras de elogio foram ditas num tom correspondente.

Ou seja, se quiseres mesmo elogiar o teu cão, não te esqueças de acompanhar as palavras de recompensa de um tom de voz condizente. Assim, o elogio fá-lo-á ainda mais feliz do que se só lhe disseres as palavras certas.

Se te interessas por estes temas, segue o ‘Family Dog Project’ no Facebook, onde a equipa vai divulgando o último conhecimento no âmbito da ciência canina.

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