Os orangotangos também gostam de videojogos

Um estudo inédito mostra que, até no uso da tecnologia, estes “homens da floresta” se parecem connosco.

Da próxima vez que te incomodarem por estares há muito tempo agarrado a uma consola, podes argumentar que estás a desenvolver o teu pensamento crítico, tal como os “primos” orangotangos.

Em 2011, descobriu-se que estes primatas partilham 97% do seu ADN connosco, humanos (a semelhança com os chimpanzés é ainda maior, alcança os 99%).

A primeira investigação mundial que visa estudar a relação destes grandes primatas com a tecnologia revela uma fácil capacidade de aprendizagem e de interação com videojogos.

No caso dos orangotangos – também designados por “homens da floresta” -, o jogo é muito mais do que um passatempo.

A investigação está a ser desenvolvida graças a uma parceria estabelecida entre a Universidade e o Zoo Victoria, ambos de Melbourne (Austrália) e o ‘Microsoft Research Centre for Social Natural User Interfaces’ e excede o caráter lúdico.

A ideia de pôr estes símios a lidar com novas tecnologias tem como objetivo primordial estimular a sua inteligência e melhorar a sua qualidade de vida.

É fácil perceber porquê. Em tempos, os orangotangos viveram em liberdade, distribuídos por todo o sudeste asiático.

Com a desflorestação, têm vindo a perder o seu habitat e a correr risco de extinção. Hoje, os poucos que restam na natureza vivem na Indonésia, nas ilhas de Sumatra e Bornéu.

Os demais estão em cativeiro. Habitam jardins zoológicos como o Zoo Victoria, em Melbourne, onde o vídeo que podes ver abaixo foi gravado.

Ali, a vida dos orangotangos é facilitada. Preocupações como encontrar alimento, construir abrigo seguro ou encontrar parceiro para acasalar não existem. Os tratadores pensam tudo por eles.

O que parece uma vida confortável, pode causar-lhes vários problemas, como aborrecimento, depressão e perda de capacidades intelectuais.

É aqui que entram os videojogos, como forma de manter os cérebros destes animais ativos.

Os investigadores começaram por colocar os orangotangos a interagir com ‘tablets’, mas a experiência nem sempre terminava bem, já que muitos acabavam partidos.

A solução passou pelo uso da tecnologia Kinect, com reconhecimento de movimentos e voz. Assim, os orangotangos começaram a poder jogar sem ter de lidar diretamente com os dispositivos.

A equipa de investigação desenvolveu jogos específicos dirigidos a este novo segmento de público. Há um jogo que se assemelha ao ‘Tetris’, outro que consiste na projeção de uma bola vermelha que, quando tocada pelos jogadores, rebenta.

Os orangotangos surpreenderam: revelaram uma enorme facilidade em compreender os desafios e interagiram não apenas usando as mãos, mas todo o corpo e, por vezes, também objetos, como panos ou palha.

A experiência foi tão bem-sucedida que deverá ser replicada noutros jardins zoológicos da Austrália. O próximo desafio já é conhecido: colocar os orangotangos a jogar com os visitantes.

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