Nesta livraria japonesa vende-se um livro de cada vez

Todas as semanas, a ‘Morioka Shoten’ apresenta um livro diferente e uma pequena exposição inspirada nele.

Num tempo em que as livrarias se transformaram em montras para centenas de títulos e em que a leitura digital começa a ganhar espaço, o livreiro japonês Morioka Yoshiyuki devolve ao livro o estatuto de objeto de culto.

 

Em maio de 2015, Yoshiyuki abriu, numa pacata rua do bairro de Ginza, em Tóquio, no Japão, uma pequena livraria com o slogan ‘a Single Room with a Single Book’ como cartão-de-visita.

Ali, no rés-do-chão de um edifício histórico da cidade (datado de 1929, um dos poucos da época que sobreviveu aos bombardeamentos aéreos da II Guerra Mundial), há apenas um livro – aliás, várias cópias do mesmo livro – para vender aos clientes de cada vez.

 

Todas as semanas, Yoshiyuki escolhe um livro diferente para comercializar e dá-lhe honras de objeto de luxo, convidando um artista para montar uma pequena exposição inspirada no livro em causa. 

Na ‘Morioka Shoten’ (‘shoten’ é a palavra japonesa para livraria), o livro reveste-se, assim, de um cariz quase sagrado, e atrai leitores devotos, de todo o mundo.

 

Leitores para quem o livro merece tempo para ser saboreado com calma, do papel às palavras (e às imagens, se for o caso. E na ‘Morioka’ é muitas vezes o caso).

Yoshiyuki preocupa-se em escolher livros diferentes, tanto em relação ao género literário, como à autoria, mas seleciona-os sempre de acordo com o seu gosto pessoal. É uma espécie de curador de livros.

 

Na sua pequena livraria, decorada de forma minimal, já estiveram em destaque autores japoneses como Mimei Ogawa and Akito Akagi, mas também estrangeiros, como o ‘The True Deceiver’, do sueco Tove Jansson. Já houve lugar para contos de Hans Christian Andersen ou para um livro de fotografia de plantas, assinado pelo artista Karl Blossfeldt. E, claro, para manga, como a de Kyotaro (foto acima).

 

Sempre que possível, os autores dos livros são convidados para irem à livraria conversar com os leitores ou dar pequenas palestras. O objetivo do proprietário é recriar o ambiente do livro, permitir aos clientes “entrar” dentro dele.

 

Yoshiyuki sabe como o contacto com os autores (e mesmo com outros leitores) é importante para quem gosta de livros. O proprietário desta livraria já tinha tido outra anteriormente, onde organizava eventos para apresentação de livros, que tinham muita afluência. Foi então que lhe surgiu a ideia de criar este conceito.

Para montar a livraria, ele conseguiu o apoio de Masamichi Toyama, o diretor de uma grande empresa japonesa, e de uma agência de marketing, a Takram.

 

Mais de um ano depois da abertura, e ao contrário do que muitos previram, a livraria continua de portas abertas e a contrariar a visão do livro como um objeto banal.

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