Quem são os Yazidis que pediram ajuda ao Papa?

A minoria religiosa combina aspetos da Bíblia e do Corão e é acusada de ser “adoradora do diabo”.

Na visita do líder da Igreja Católica a um campo de refugiados da ilha grega de Lesbos, sábado passado, saltaram à vista cartazes escritos por membros de um pequeno grupo religioso.

Os Yazidis pediam ajuda ao Papa Francisco. Mas quem são os Yazidis e por que razão fizeram este apelo?

A história desta minoria é muito antiga: remonta ao ano 2000 a.C..

Os Yazidis seguem uma religião, Yazidismo, que surge sempre associada ao adjetivo “misterioso”.

Uma curiosidade desta religião é que combina elementos tanto do Islamismo, como do Cristianismo. Tem, também, a particularidade de só poder ser Yazidi quem nasce no seio da comunidade existente, já que ninguém pode converter-se a esta religião.

Mas a aura misteriosa que paira sobre esta minoria – e que a tornou ao longo dos séculos (e continua a tornar) alvo de perseguição – prende-se, principalmente, com a crença de que são “adoradores do diabo”.

De onde vem essa ideia? Para entendê-la é preciso saber um pouco mais sobre a religião. Para os Yazidi há um Deus criador, Yasdan, que os membros da comunidade estão proibidos de adorar diretamente.

Os Yazidi rezam àquele que acreditam ser o espírito detentor da vontade divina: Malak Taus, um dos sete anjos, o anjo superior, a quem Yasdan teria confiado a guarda do mundo.

Malak Taus é conhecido como o “Anjo Pavão” – o pavão é, precisamente, o símbolo da religião – e também é conhecido por ‘Shaytan’.

E assim chegamos à razão pela qual esta comunidade religiosa é acusada de prestar culto ao diabo. No Corão, ‘Shaytan’ é o nome dado a Satanás. 

Outro engano contribui para a perseguição dos Yazidis, que têm sido também alvo da violência do Estado Islâmico (EI).

Os sunitas radicais (que formam o EI) acham que o nome deste grupo vem de um califa de quem não gostam: Yazid ibn Muawiya (que viveu entre 647 e 683), o que não corresponde à verdade.

Yazidismo vem de de ‘ized’, uma palavra persa que significa anjo ou deus.

Hoje não há dados exatos sobre o número de Yazidis. Sabe-se que a perseguição de que foram alvo ao longo de séculos, e hoje ainda, tem feito com que a comunidade tenha vindo a diminuir e o número de membros deverá situar-se atualmente entre os 500 e os 700 mil.

Pertencentes à etnia curda, sabe-se, isso sim, que os Yazidis vivem sobretudo na zona norte do Iraque. Na Europa, há uma grande comunidade de emigrantes Yazidi na Alemanha. 

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