Centenas de apoiantes de Donald Trump invadiram o Capitólio e pediram a anulação das eleições.

O “assalto à Democracia” feito por apoiantes de Trump

O alvo foi o Capitólio, o edifício onde reúne o Congresso dos EUA.

Já se sabia que Donald Trump não iria facilitar a transição da Presidência dos Estados Unidos da América para Joe Biden. Mas ninguém imaginou que uma invasão do Capitólio pudesse acontecer.

Na manhã de quarta-feira, dia 6 de janeiro, houve um comício perto da Casa Branca, onde se reuniram milhares de apoiantes de Donald Trump e onde o ainda presidente dos Estados Unidos discursou.

Nesse discurso, Trump voltou a insistir – como tem feito desde novembro – que a eleição tinha sido fraudulenta. Afirmou ainda que não iria aceitar a derrota e desafiou aqueles que o ouviam a fazerem uma marcha de protesto até ao Capitólio.

Convém recordar que a acusação de Trump de que as eleições foram manipuladas não têm qualquer fundamento e não foram apresentadas quaisquer provas nesse sentido.

O dia em que tudo aconteceu era um dia importante no Capitólio: à tarde, os membros do Congresso iam estar aí reunidos para validar a eleição do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro passado.

Um cenário de terror

Essa sessão já tinha começado quando os manifestantes levaram a cabo uma verdadeira invasão do edifício. Sendo centenas, os apoiantes de Trump conseguiram vencer as barreiras policiais e entrar no Capitólio (alguns chegaram mesmo a escalar as paredes do edifício). Lá dentro, forçaram portas, partiram vidros, destruíram mobiliário e lançaram gás lacrimogénio.

Enquanto se espalhavam por várias partes do edifício, empunhando bandeiras dos EUA e pró-Trump, gritavam palavras que pediam a anulação dos resultados eleitorais.

A situação ficou completamente fora de controlo e foram precisas algumas horas até que as autoridades conseguissem expulsar os manifestantes.

Quatro pessoas morreram no local (um polícia viria a morrer depois) e 52 manifestantes foram presos. Vários polícias ficaram feridos. Já entre os políticos e trabalhadores do Capitólio não há registo de vítimas – foram conduzidos pela polícia para um local seguro.

A sessão de confirmação de Joe Biden foi retomada ainda no próprio dia. O futuro Presidente dos EUA condenou vivamente o sucedido, dizendo tratar-se de um “assalto à democracia”. Afirmou, também, que aquele cenário “não reflete a verdadeira América”, acrescentando “o que vemos é um pequeno número de extremistas dedicados à ilegalidade. Isto não é dissidência – é desordem, é caos, é quase sedição, e deve acabar agora”.

Já Donald Trump publicou um vídeo no Twitter a pedir aos manifestantes para voltarem para casa, mas voltando a reafirmar que a eleição tinha sido fraudulenta.

Destituição no horizonte?

Por causa do papel que desempenhou neste episódio, vários políticos – não só democratas, mas também republicanos (do partido de Trump) – consideram que Donald Trump deveria ser destituído do cargo, mesmo estando a apenas duas semanas de terminar o seu mandato.

A tomada de posse oficial de Joe Biden acontece no dia 20 de janeiro e há receios de que até lá mais acontecimentos violentos possam ter lugar. Os manifestantes republicanos não estão apenas descontentes com a derrota de Trump: esta é a primeira vez desde 2009 que os Democratas têm o controle do Senado, da Câmara dos Representantes e da Casa Branca. Isto significa que partem com muito poder para este mandato.

O Capitólio já tinha sido alvo de uma invasão, mas o contexto era totalmente diferente e os invasores não eram norte-americanos. Foi há mais de 200 anos, em 1814, quando os Estados Unidos estavam em guerra com a Inglaterra e as tropas inglesas invadiram e incendiaram o edifício.

A propósito desta notícia, convidamos-te a recordar o significado de pós-verdade – uma palavra que descreve situações em que apelos à emoção ou crenças pessoais contribuem mais para a formação da opinião pública do que factos e dados objetivos. É isso que parece acontecer com estes apoiantes de Donald Trump, que acreditam na sua versão sobre as eleições, sem que haja evidências a comprovarem-na.

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