O que é o Boko Haram?

O grupo que tem lançado o terror na Nigéria perdeu terreno na última semana, com a libertação de centenas de reféns pelo exército nacional.

O Boko Haram conta já com vários anos de história. Há quem situe a raiz do grupo terrorista há mais de um século, quando uma parte do território atual da Nigéria ficou sob o controlo britânico.

Os muçulmanos terão, nessa altura, oferecido resistência à mensagem ocidental passada pelos missionários cristãos. Uma resistência que terá crescido dando origem a ações de extrema violência.

2002 é a data normalmente apontada para o nascimento do Boko Haram. Mais do que o nascimento de um movimento terrorista, a data parece referir-se ao surgir de uma nova designação do mesmo.

Boko Haram foi o nome dado pela população da cidade de Maiduguri, no nordeste da Nigéria, a um grupo que aí exercia grande influência: o Jama’atu Ahl as Sunnah li Da’awati wal-Jihad – Pessoas comprometidas com a propagação dos ensinamentos do Profeta (Maomé) e da Jihad.

O nome Boko Haram é uma outra perspetiva de ver a ação do grupo, não pelo que pretendem, como a designação anterior, mas pelo que combatem: a educação e a visão ocidental do mundo, simbolizada na palavra “Boko” (livro). “Haram” significa proibido.

Esta designação coincide, curiosamente, com o período em que o grupo conquista a atenção da comunidade internacional.

Durante muitos anos, a ação destes radicais islâmicos, visou sobretudo o governo nigeriano (que acusava de ser infiel à ‘Sharia’, a lei islâmica) e todos os que colaboram com ele, de políticos a professores, passando por médicos ou forças policiais.

A partir de dada altura, o Boko Haram direcionou os seus ataques, também, a alvos ocidentais.

Antes do sequestro de 200 raparigas em maio passado, uma das ações do grupo com maior repercussão internacional tinha ocorrido em 2011, quando a sede das Nações Unidas em Abuja, a capital da Nigéria, sofreu um atentado, vitimando mortalmente dezenas de pessoas.

A lista de atrocidades perpetradas pelo Boko Haram inclui ataques a igrejas, escolas, hospitais, órgãos-de-comunicação, postos de polícia, raptos de nigerianos, mas também de turistas ocidentais.

O terror e o medo que o grupo espalhou levou, ainda, a que dezenas de milhares de nigerianos tenham optado por deixar as suas casas, sobretudo no norte do país, em localidades situadas na floresta de Sambisa, onde o Boko Haram (que se identifica com a Al Qaeda) está mais presente.

Dados da Amnistia Internacional, desde 2014 até ao presente, o Boko Haram foi responsável por:

5500 civis assassinados

2000 mulheres raptadas

1,5 milhões de deslocados, de entre os quais 800 mil são crianças

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