Quem são os Oromo da Etiópia?

Conhece a etnia para a qual Feyisa Lilesa, o vencedor da prata na maratona do Rio’ 2016, chamou a atenção.

Feyisa Lilesa, de 26 anos, fez do desporto uma arma ao aproveitar o segundo lugar conquistado na maratona dos Jogos Olímpicos para dar visibilidade ao drama dos Oromo, etnia a que ele pertence.

O maratonista cruzou os braços acima da cabeça, repetindo um gesto ultimamente muito usado pelo seu povo nas manifestações de protesto contra o governo etíope, que acusam de repressão.

A Etiópia é um mosaico de etnias, onde coexistem dezenas de povos, com línguas, culturas e religiões diferentes. Os Oromo são o povo maioritário naquele país africano (pensa-se que foram eles os primeiros a saborear o café), mas estão afastados do poder. Quem governa são os membros da etnia tigré, que é minoritária.

Em teoria, a Etiópia é uma república democrática, mas as políticas levadas a cabo pelo primeiro-ministro Hailemariam Desalegn parecem pouco dignas desse nome.

Basta dizer que nas últimas eleições legislativas, realizadas em junho de 2015, o partido que está no poder (a Frente Democrática Revolucionária Popular da Etiópia) conseguiu a totalidade dos votos.

O resultado é particularmente improvável num país onde as duas etnias maioritárias (além dos Oromo, os Amhara) têm levado a cabo uma série de manifestações contra o governo. 

A etnia a que Lilesa pertence dedica-se sobretudo à agricultura. No final do ano passado, muitos Oromo foram obrigados pelo Estado a abandonar algumas das suas terras, sem receber em troca qualquer compensação.

O governo levou a cabo essa ocupação para colocar em prática um ambicioso plano de expansão da capital etíope, Adis Abeba.

Já em fevereiro passado, a Amnistia Internacional (AI) lançou uma campanha de sensibilização da comunidade internacional para a repressão que este povo está a sofrer.

O comunicado da AI falava de manifestantes Oromo que eram presos, torturados e mortos no país por exercerem direitos que lhes assistem – de reunião e de expressão.

A ONG, que zela pelo cumprimento dos direitos humanos em todo o mundo, falava ainda, no mesmo comunicado, da detenção arbitrária de jornalistas e políticos da oposição.

Disso mesmo falou também o atleta Feyisa Lilesa depois de ter terminado a maratona. Pelo gesto que Lilesa fez nos momentos finais da prova, os órgãos de comunicação etíopes, controlados pelo Estado, deixaram de dar a notícia da sua subida ao pódio e Lilesa receia mesmo ser morto, se voltar ao seu país, por ter feito esta denúncia publicamente.

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