Era uma viagem para o mundo há 13 mil milhões de anos, por favor

O bilhete compra-se num Planetário renovado, onde o Porto tem sempre o seu segundo céu.

As cadeiras têm uma forma estranha e envolvem-nos. É fácil imaginar que estamos numa qualquer nave espacial. Instalamo-nos e só tempos tempo de inclinar as costas para trás. Poucos segundos e estamos já imersos numa floresta de sequoias. A árvore que está à nossa frente é a passagem secreta para o universo há muitos milhões de anos, pouco depois do ‘Big Bang’ ter ocorrido.

Depois de um ano encerrado ao público, para obras de remodelação, o Planetário do Porto reabre com tecnologia de última geração. O sistema opto-mecânico antigo é recordado pelo velho projetor, agora a adaptar-se à sua condição de peça de museu. O novo permite uma empolgante experiência de realidade virtual.

As novidades vão além da tecnologia. O Planetário continuará a ser um espaço de astronomia, com sessões onde se pode descobrir o sistema solar, orientadas sempre por astrónomos. Os novos meios abrem-no, no entanto, a outras dimensões, com filmes imersivos cuja duração ronda os 25 minutos.

Um é este, a que assistimos, “Vida, uma história cósmica”, em que guiados pela voz de Diogo Infante somos levados a descobrir como surgiu a vida na Terra (na versão original do filme, produzido pela Academia de Ciências da Califórnia, a voz é de Jodie Foster).

Desfrutando de uma visão privilegiada, entramos no interior de uma célula para observar o seu funcionamento, vemos a fotossíntese e o ADN como se fossem realidades palpáveis. Mas isso é só o princípio. Depois, vem o mergulho na matéria escura, o nascimento das primeiras estrelas, a aventura pela Via Láctea como ela era há milhões de anos atrás. Vemos o Sol e a Terra quando eram ainda crianças, assistimos à formação dos primeiros microrganismos terrestres, espreitamos a Idade do gelo e chegamos até ao presente, sem ponta de cansaço.

O outro filme proporciona um encontro diferente. Leva-nos até Galileu e mostra a importância que o telescópio teve na evolução da ciência. Ainda este ano, mas mais lá para a frente, deverá estrear um filme sobre a poluição luminosa, a propósito do Ano Internacional da Luz.

Qualquer sessão (há todos os dias uma de manhã e duas à tarde) não se esgota, porém, nestes filmes. “Há sempre uma apresentação ao vivo variável”, explica Daniel Folha, diretor do Planetário. E especifica: “Podemos ver o céu noturno do dia em que é feita a visita, viajar pelo universo e chegar a qualquer ponto do Tempo e do Espaço”. Algo que antes não era possível: “estávamos fixos na superfície da Terra”.

A nova tecnologia dá possibilidades ilimitadas ao Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, responsável pela gestão do Planetário. A nova fase do espaço, inaugurado em 1998, começa a 3 de junho.

Em baixo, fica a apresentação do filme “Vida, uma história cósmica” na versão original.

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