Um ‘Big Brother’ a pensar na ida a Marte

Seis pessoas estão isoladas no Havai, em nome da ciência. A experiência é da NASA e vai durar um ano.

O formato faz em tudo lembrar um ‘reality show’: seis pessoas em isolamento absoluto, uma casa, um horizonte temporal.

Aqui, porém, os fins afastam-se muito do campo do entretenimento e de exploração da vida privada com o intuito de captar audiências.

Trata-se, em vez disso, de uma experiência científica, com o carimbo da Agência Espacial Norte-Americana.

A NASA quer “saber como apoiar e monitorar uma tripulação para que os seus membros possam realizar missões de longa duração sem se quererem matar uns aos outros”, explica Kim Binsted, a principal investigadora do projeto ‘Hawaii Space Exploration Analog and Simulation’ (Hi-Seas).

Os participantes são três homens e três mulheres – quatro americanos, um francês e um alemão. Os seis estão, desde o final de agosto, numa estrutura de onze metros de diâmetro e seis de altura, erguida num dos maiores vulcões do mundo: o Mauna Loa, no Havai.

Cada um tem um pequeno quarto à disposição, mas as restantes áreas são partilhadas: cozinha, sala, laboratório, ginásio, casa de banho.

Os desafios não se ficam por aqui: para se alimentarem, estes voluntários dispõem unicamente de comida desidratada, congelada e enlatada; para comunicarem com o exterior têm apenas uma ligação à Internet sem conexão em tempo real (sujeita sempre a um atraso de vinte minutos, o que aconteceria se estivessem em Marte); para saírem da estrutura onde estão alojados são obrigados a colocar uns fatos espaciais, parecidos com os dos astronautas.

Esta é a terceira etapa do programa Hi-Seas, que simula em Terra uma situação de exploração em Marte (se tudo correr como previsto, a NASA enviará humanos para o planeta vermelho na década de 2030). As missões anteriores do Hi-Seas foram menores: duraram entre quatro e oito meses.

Na mesma entrevista, Kim Binsted realçou a importância da repetição das experiências para que os resultados sejam fiáveis. “Nas missões anteriores, pudemos observar que a tripulação ficou stressada, alguns com sinais de depressão, principalmente na parte final. Queremos ver se isso se vai repetir”, disse.

Os seis membros da equipa têm formações diversas (biologia espacial, física, geologia, aviação, arquitetura, jornalismo) e foram escolhidos, de entre cerca de 150 candidatos, em função do seu perfil: a NASA queria pessoas preparadas para lidar com situações complexas e com um grande sentido de responsabilidade (algo que exige aos astronautas). Podes conhecer cada um deles melhor aqui.

Trata-se, portanto, de adquirir e consolidar conhecimentos em termos dos desafios sociais e psicológicos de uma missão de longa duração no Espaço.

Eliminar os conflitos será impossível, mas aprender a evitá-los e a lidar com eles quando surgirem é fundamental. O trabalho de equipa é a chave do sucesso de uma missão espacial.

Se te interessas pela exploração de Marte, lê este artigo sobre a viagem sem regresso ao planeta vermelho e este sobre o veículo que anda a acelerar por lá.

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