Os símbolos escondidos na Bandeira de Portugal

O pintor Columbano Bordalo Pinheiro foi um dos responsáveis pela principal imagem do país.

Hoje não imaginamos a Bandeira de Portugal com outras cores e outros motivos, mas a escolha deste símbolo republicano foi tudo menos pacífica. Sobretudo por causa das cores.

Implantada a República, a 5 de Outubro de 1910, os vencedores apressaram-se a encontrar novos símbolos nacionais.

A marcha “A Portuguesa” (com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil) é adotada como novo hino do país e uma comissão é nomeada pelo Governo para pensar a nova Bandeira de Portugal.

Dessa comissão fizeram parte figuras destacadas da época: além do pintor Columbano Bordalo Pinheiro, também o escritor Abel Botelho, o jornalista e político João Chagas, o Tenente Ladislau Pereira e o Capitão Afonso Palla, como se recorda no Museu da Presidência da República.

A proposta apresentada pela comissão retoma, no essencial, a bandeira usada pelos homens que fizeram a Revolução do 5 de Outubro.

O “verde e rubro” acompanhava os republicanos, aliás, desde as primeiras tentativas de implantação do novo regime político: eram essas as cores da bandeira que foi içada na (mal sucedida) revolta de 31 de Janeiro de 1891 no Porto e que marcaram todo o material de propaganda do Republicanismo.

Houve quem, sendo republicano, criticasse o abandono do tradicional azul e branco (da anterior bandeira monárquica), como o escritor Guerra Junqueiro. Os opositores chegaram a reclamar uma consulta popular para ajudar na decisão, mas esta não chegaria a realizar-se.

A 19 de junho de 1911 é implementada oficialmente a bandeira que ainda hoje conhecemos, por decreto da Assembleia Constituinte.

SIMBOLOGIA:

O Verde (dois quintos da bandeira, junto à tralha) é, como atrás referimos, uma cor associada à luta republicana e representa, também, os campos e florestas de Portugal;

O Vermelho é a cor dos movimentos revolucionários e populares, simboliza força, coragem e remete, ainda, para o sangue derramado pelos portugueses que lutaram pela Pátria;

O Escudo e a Esfera Armilar Manuelina, ao centro, evocam dois momentos altos da história nacional: a fundação de Portugal e os Descobrimentos;

A azul, as Quinas recordam as batalhas pela conquista da nacionalidade e associam-se, por norma, à lenda que fala nos cinco reis mouros que D. Afonso Henriques derrotou na Batalha de Ourique;

A amarelo, os Sete Castelos são os que D. Afonso III conquistou aos mouros.

Para veres a discussão em torno da nova bandeira da Nova Zelândia, lê este artigo: O que leva um país a mudar de bandeira?

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