Vês este prédio? É uma cidade.

Em Whittier, no Alasca, oitenta por cento da população vive no mesmo edifício. É lá que ficam, também, a escola, os correios, a polícia.

Imagina que vives numa cidade com 200 habitantes… Pensa agora que destes, 180 vivem no mesmo prédio que tu. E que esse prédio, de 14 andares, não é apenas de habitação.

Para ires à escola ou trabalhar, para pores uma carta no correio ou apresentares uma qualquer queixa na polícia, basta-te apenas entrar no elevador, descer ou subir e, depois, quando muito, ter de percorrer a pé longos corredores, um ou outro túnel.

Imagina-te a ter sempre a mesma temperatura e a sentir o vento ou apanhar chuva apenas se te apetecer, pois tudo o que precisas está nessa espécie de cidade vertical.

Estranho exercício este? Para os habitantes de uma pequena e isolada localidade no Alasca – Whittier -, o dia-a-dia é assim. Claustrofóbico, dirão uns; cómodo, dirão outros.

A história de Whittier, provavelmente uma das mais estranhas cidades do mundo, relaciona-se com a II Guerra Mundial. O ataque de Pearl Harbor ficou tristemente célebre, mas não foi o único realizado pelos japoneses contra os Estados Unidos. A marinha nipónica atacou, também, uma parte do maior estado norte-americano, o Alasca.

Os Estados Unidos decidiram, então, criar uma base militar na zona. Em 1952, elegeram um local escondido, isolado por uma grande montanha e com o mar em frente, para estacionar as suas forças militares. Para abrigar os soldados, ergueram-se gigantescas torres, só acessíveis por água ou por um extenso túnel, construído de propósito na época.

Em 1968, com o perigo afastado, os militares deixaram a zona e os enormes edifícios ficaram abandonados. Por pouco tempo. Um ano mais tarde, os poucos civis que viviam nas redondezas decidiram estabelecer ali uma cidade.

Em vez de construírem habitações, aproveitaram um dos dois edifícios existentes, as Begich Tower. Com o clima rigoroso do Alasca, onde a neve está presente em força durante grande parte do ano, a concentração num edifício acabava por facilitar a resposta às duras condições atmosféricas e simplificar a vida dos habitantes.

Naturalmente, a câmara municipal, a escola, as autoridades locais, as lojas ou até mesmo a igreja, foram encontrando o seu espaço dentro da gigante estrutura de betão. Foram poucos, apenas cerca de quarenta habitantes, aqueles que procuraram outro local para viver, construindo uma pequena casa a uns metros de distância desta autêntica cidade vertical.

Tal como quem habita as Begich Towers, também eles só conseguem chegar à cidade através do maior túnel do norte da América – o Anton Anderson Tunnel -, o tal que também foi construído pelos militares. É tão longo que demora cerca de quinze minutos a ser percorrido de carro. Com a desvantagem de que, por ser estreito, só passam automóveis num sentido de cada vez. Já foi pior. Até 2001, a passagem era feita apenas de comboio.

No Verão, porém, tudo se torna mais fácil em Whittier. A cidade enche-se com milhares de turistas que chegam sobretudo de barco para conhecer a bizarra cidade e para visitar os glaciares e um parque de vida selvagem, que tem em Whittier a sua porta de entrada.

Neste documentário (em inglês), uma professore explica como é viver nesta cidade isolada que, por sua vez, fica no estado mais isolado dos E.U.A..

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