Que tal um intercâmbio cultural sem sair de casa?

A Associação ‘Intercultura – AFS Portugal’ está à procura de famílias de acolhimento para estudantes estrangeiros.

Catarina Araújo tinha 13 anos quando os pais lhe satisfizeram, em parte, um desejo antigo – o de ter um irmão. Uma irmã, neste caso.

Os pais arranjaram uma forma original de corresponder à vontade da filha: receber uma jovem em casa por dez meses, como se fosse membro da família.

Foi assim que Molly se tornou quase irmã de Catarina. De setembro de 2012 a junho de 2013, a jovem portuguesa partilhou o quarto com a neozelandesa, dois anos mais velha, que tinha crescido do outro lado do mundo, mas desejava fazer um ano de estudos na Europa.

Catarina diz que ainda hoje, apesar da distância, sente que tem em Molly uma irmã: “Estamos sempre a falar por Skype e por Facebook e eu e os meus pais estamos a planear ir visitá-la”, conta Catarina, hoje com 15 anos.

A timidez dos primeiros dias desapareceu num instante. Molly aprendeu rapidamente a falar português e Catarina logo se tornou fluente em inglês. O melhor? “A companhia dela e os meus pais terem-me passado a dar muito mais liberdade”, recorda.

A experiência correu tão bem que, depois de Molly, a família Araújo já acolheu uma estudante belga (foto abaixo) por três meses, em 2013, e está à espera de uma argentina, que vai chegar em setembro. O sorriso aberto de Isabel, mãe de Catarina, diz tudo.

“É uma experiência cultural muito rica, até para nós, pais. Estávamos habituados a canalizar tudo para aquela filha e acabamos por ser mais abertos em termos de educação. Como sabemos que temos ali um elemento que é de outra cultura não somos tão rígidos”, observa.

Além disso, e da descoberta constante que é ter alguém de outra nacionalidade em casa (Molly estranhava, por exemplo, que em Portugal os interruptores da casa-de-banho ficassem fora, algo que a família Araújo nunca tinha reparado), o dia-a-dia mantém-se, asseguram.

A família de acolhimento não recebe nada, tem que ter uma cama (não precisa de ser um quarto individual, Isabel até acha que partilhar quarto com outro jovem facilita a integração de quem chega), oferecer a alimentação (exceto os almoços de segunda a sexta, que costumam ser na escola).

Enfim, “é como ter um amigo do nosso filho em casa”, abrevia Isabel, que se tornou voluntária da Associação através da qual recebeu Molly e coordena hoje o núcleo do Porto da AFS.

Em setembro deste ano, vão chegar a Portugal cerca de 95 estudantes de mais de 25 países.

Todos têm entre 15 e 18 anos, são bons alunos (ter bom aproveitamento escolar é uma das condições exigidas para se poder participar nestes intercâmbios) e sociáveis. Quem estiver interessado em acolher pode inscrever-se no site da AFS – Intercultura Portugal, que conta já com mais de meio século de experiência.

Na página oficial, podes ler, ainda, testemunhos quer de famílias de acolhimento, quer de adolescentes que se aventuraram a fazer um ano de estudo noutro país. Estão, ainda, disponíveis os perfis dos jovens à procura de uma família que os escolha. Sim, escolha. Os estudantes escolhem o país para onde querem ir, mas são as famílias a escolher o estudante que querem receber, a partir do perfil que é disponibilizado.

Para a semana, vamos falar-te de como te podes candidatar para fazer um ano no estrangeiro, em casa de uma família de acolhimento. Vê o artigo aqui.

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