Europa, não te esqueças da tua História!

Neste primeiro artigo, vamos à origem da Europa, até encontrarmos a lenda que fala de uma bela jovem e de um touro que era Zeus.

Por Isabel Baltazar (*) – Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa

A origem da expressão Europa perdeu-se no tempo, mas é certo que é invenção dos gregos. Foi o poeta Hesíodo (séc. VIII-VII a.C.) o primeiro a empregar este nome e o famoso Heródoto, considerado o pai da História, dizia no século V a.C. que não se sabia de onde a Europa tirou o seu nome. Por isso, a Europa acaba por ser um mito, esse “nada que é tudo”, na expressão emblemática de Fernando Pessoa.

E assim nasceu a lenda Europa, em que Europa é uma jovem de grande beleza, filha do Rei de Sídon, na Fenícia. Um dia, quando se divertia, Zeus fascinado com a sua beleza, transformou-se num touro que encantou Europa e a levou até Creta. Aqui emerge o princípio do nada que virá a ser tudo. E a Grécia como o princípio dessa grande civilização europeia.

Os Europeus receberam essa herança grega que será continuada pelos romanos (séc. I-IV). As raízes da Europa são greco-romanas e cristãs, como veremos a seguir.
A Europa, no Império Romano, é o primeiro exemplo de uma cidadania europeia, ou seja, uma cidadania única no território europeu, instituída por uma cultura e uma língua comuns.

O latim foi a língua fundamental da civilização europeia e constitui, com o grego, a memória dos Europeus. A cidadania europeia conjuga, assim, a democracia dos gregos e o direito dos romanos, fundamentos de um espírito europeu, emergente de um ideal democrático e de uma justiça regida pela lei, que permanece na atualidade.

Após o desmoronar do Império Romano, o Cristianismo surge, na Idade Média, como a principal força capaz de estabelecer a ordem entre os povos, originando uma comunidade superior, fundida em unidade espiritual e configurada sob a forma de cristandade.

A cristandade converte-se na única força estável diante do desmoronamento da civilização romana.

Carlos Magno será a primeira grande figura da unidade europeia, o primeiro europeu, reunificando e restaurando a velha unidade desfeita.

A História da Europa vai mudar durante o renascimento, numa abertura ao mundo e uma nova visão do Homem e da História. O paradigma europeu vai continuar no iluminismo até à eclosão da primeira e da segunda guerras mundiais.

Nesta altura, a Europa reconhece a necessidade de salvaguardar a paz. Grandes figuras como Jean Monnet e Robert Schuman vão defender a paz como um projeto europeu para o Século XX. Um projeto inacabado e que precisamos de reinventar.

(*) Publicada ao dia 20 de cada mês, a rubrica “História e Europa” é dedicada às ideias e aos protagonistas do projeto europeu. Resulta de uma parceria entre o Instituto de História Contemporânea da Universidade de Lisboa (IHC – UNL) e o Jornalíssimo e tem a coordenação científica de Isabel Baltazar e Alice Cunha, doutoradas em História pelo IHC-UNL.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *