O que achas sobre a disciplina de Formação Cívica/Educação para a Cidadania?

Qual é a tua opinião sobre a duração, os conteúdos, a forma como é lecionada?

O Ministério da Educação disse, há dias, em resposta ao jornal ‘Público’ que a área da Educação para a Cidadania foi “alvo de desinvestimento nos últimos anos, não ocupando um lugar claro no currículo”. O Ministério, revela ainda o jornal ‘Público’, está a desenvolver uma estratégia de Educação para a Cidadania que “potenciará o desenvolvimento de competências cidadãs nas aprendizagens dos alunos”.

E os alunos, o que pensam eles da Educação para a Cidadania? Em vídeo e por escrito, fica a saber a opinião de estudantes de várias idades.

Carlos Daniel, 17 anos: “Acho que Educação para a Cidadania seria importante caso fosse para preparar os alunos para o futuro, por exemplo, fazer debates sobre assuntos atuais e, no secundário, ensinar os alunos a tratar de problemas que aparecem após os 18 anos como os impostos. No entanto, quando eu tive essa disciplina apenas tratávamos de assuntos se direção de turma”.

Gabriel, 15 anos: “Acho que não faz falta porque na minha escola não fazemos nada de mais nessa disciplina”.

João, 14 anos: “Acho que não faz falta porque nós só justificamos faltas e não fazemos nada de especial na disciplina de formação cívica, que na minha escola se chama Oficina de Competências. Era bom se nos falassem de como ajudar os outros, de voluntariado”.

Daniel, 14 anos: “Quando temos palestras, como uma que tivemos sobre alimentação, é muito interessante, mas muitas vezes juntamos a matéria do espaço turma, fazemos coisas de outras disciplinas e para isso não acho que faça falta. Devia ser mais para sensibilização sobre vários temas”. 

Carolina, 15 anos: “Só tive um ano Formação Cívica e a professora não nos cativava muito. Era uma disciplina muito vaga, não focava nenhum assunto específico da formação cívica. Se focasse acho que gostava e acho que são temas que fazem falta aos jovens. É importante falar sobre sexualidade, racismo, desigualdade. Muitos jovens não têm civismo, formação e nem todos têm apoio em casa. Acho que é uma disciplina que faz falta em todos os anos, mesmo no Secundário. Nem sempre quando somos novinhos damos muita atenção a essas aulas.

Afonso Pinheiro, 16 anos: “Na minha opinião é importante começar a dar desde cedo às crianças a noção do que se passa no mundo, para que venham a tornar-se cidadãos que se respeitem e sejam capazes de tornar este país melhor. Mas, para isso, era preciso que a disciplina tivesse os métodos certos de ensino. Quando tive Formação Cívica era uma disciplina muito para passar o tempo. Não me lembro de nos falarem de temas como o ambiente ou de como deveria estudar para ter capacidades de me formar como cidadão, ou de ir estudar para o estrangeiro para me tornar numa melhor pessoa”.

Mariana Pinto, 16 anos: “O nome da disciplina não é o meais certo porque os professores usam esse tempo para tratar de justificações de faltas e não para falar de cidadania. Fazia sentido haver Formação Cívica se os professores nos pusessem a fazer atividades e a darmos sugestões para melhorar a escola, se nos falassem do que podemos ganhar depois de termos a idade de adultos, como por exemplo votar. Se fosse bem utilizada era uma disciplina que fazia sentido”.

Catarina Costa, 17 anos: “A mim Formação Cívica não me valeu de nada porque a aula servia para justificar faltas. Agora, no Secundário, acho que a Filosofia faz um pouco o papel da Formação Cívica que, para mim, deveria servir para abrir horizontes em vários campos: profissionais, políticos… Devia ajudar a sermos melhores cidadãos, porque estamos sempre a tempo de melhorar se nos derem bases para isso”.

Pedro Dias, 18 anos: “Acho que a disciplina de Formação Cívica deveria estar presente também no Secundário. Os jovens de hoje em dia são um pouco incultos e apagados sobre o que se passa no mundo, só querem seguir a corrente. Acho que a disciplina dava para ajudar a moldar as ideias, para não serem todas semelhantes, e ajudava a que se ganhasse mais respeito pelos outros. Cada vez há menos respeito pelo próximo, quer seja mais velho ou mais novo, do mesmo escalão social ou de outro. Os jovens não estão capacitados que para a sociedade ter civismo é preciso que haja respeito entre todos”. 

Miguel Pereira, 18 anos: “A disciplina de Formação Cívica devia existir em todos os anos e em todas as escolas para as pessoas saberem como agir na sociedade e para aprenderem a respeitar-se. O respeito é, como costumamos ouvir, muito bonito, mas hoje não existe. Tive sorte porque tive uma professora que sempre me ensinou boas matérias, mas podia ter ensinado mais. Ela utilizava muito a disciplina para tratar assuntos da turma e quando podia dava-nos uns conselhos”.

Bruno Pacheco, 19 anos: “Eu sou de opinião que a Formação Cívica não devia ser dada só no Ensino Básico. É uma aprendizagem que faz falta não só na escola, mas também em casa. Acho que hoje na educação dos miúdos há bastante liberdade, até porque os pais têm medo da reação dos miúdos e deixam que fique mais para a escola”.

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