Saúde 15 outubro 2017
Já ouviste falar no "Dr. Google" | Foto: Max Pixel Free great Picture.com

Pode parecer-te estranho, mas a segurança na Internet também se coloca relativamente a questões de saúde.

Por Bruno Rodrigues Alves (sociólogo)

Quando pensamos em Internet segura vêm-nos à cabeça questões como a privacidade, a confidencialidade, o cibercrime, os perigos das redes sociais. Poucos serão os que associam a segurança na Internet à saúde. Mas essa é uma associação que faz sentido.

A relação com o digital cresce de dia para dia e reflete-se, também, no número de pessoas que utilizam a Internet para assuntos ligados à saúde. Quem é que perante uma dúvida ou curiosidade sobre saúde nunca pesquisou na Web? Esta é uma prática tão comum que até já se fala no “Dr. Google”.

Afinal, a pesquisa online destes temas é simples, imediata, barata, sem barreiras administrativas ou burocráticas. Está disponível a qualquer hora, em qualquer lugar, sem marcação prévia ou listas de espera, ao invés da consulta médica presencial. E dá, ainda, garantias de anonimato. 

Se o “Dr. Google” se veio juntar à bata branca e ao estetoscópio, não é de estranhar que a Internet se converta em recurso complementar de obtenção de informação sobre temas de saúde.

O “Dr. Google” gera incómodo a muitos médicos e produz tensões entre eles e os doentes. Mas a questão vai bem para além disso. A utilização da Internet para as questões de saúde é controversa e tem vindo a ser entendida como matéria de saúde pública pelos riscos que comporta, nomeadamente para pessoas hipocondríacas (segundo o Dicionário Online de Português, patologia mental definida pelo excesso de pensamentos e preocupações acerca do seu próprio estado de saúde, embora não haja razão genuína para isso).

Com a Internet surgiu a hipocondria digital, também chamada de hipocondria 2.0, ciberhipocondria ou cibercondria. É fácil deduzir do que se trata: uma nova variante da hipocondria e descreve o comportamento de um hipocondríaco que “navega”, compulsiva e obsessivamente, na Internet (a quem se dá o nome de cibercondríaco) com o propósito de encontrar um “diagnóstico” médico relacionado às suas crenças e suspeitas (frequentemente tidas como “certezas”).

E por que é que a cibercondria preocupa os profissionais de saúde? Tem a ver com a segurança do doente, já que este pesquisa sintomas e doenças , medicamentos e tratamentos sem supervisão especializada. Ora esta “odisseia averiguadora” gera um estado de ansiedade e stresse permanente, conclusões infundadas e medos irracionais.

É um círculo vicioso: a ansiedade e as preocupações levam o cibercondríaco a efetuar mais e mais consultas online, a “assumir” uma doença (que não tem), a idas precipitadas ao médico. Assim, sobreutiliza os serviços de saúde, realiza desnecessariamente exames ou análises clínicas, automedica-se, usa suplementos e produtos de venda livre sem qualquer orientação e controlo.

Estes comportamentos engendram riscos físicos, psicológicos e emocionais, bem como custos económicos evitáveis.

Tem-se observado que a cibercondria é mais nociva do que a sua versão tradicional – a hipocondria – devido à enorme facilidade em obter informação, que muitas vezes é incompleta, genérica ou mesmo errada.

Com certeza que já te aconteceu também pesquisares sobre temas de saúde na Web. Se ficares pela pesquisa o assunto não é preocupante: as preocupações começam quando, a partir da pesquisa, se passa ao autodiagnóstico e ou à automedicação. Ou seja, nem todo o internauta para as questões da saúde é necessariamente um cibercondríaco.

6 DICAS PARA QUANDO PESQUISARES SOBRE QUESTÕES DE SAÚDE NA INTERNET:

• Verifica a autoria das páginas e os perfis dos seus autores (médicos, farmacêuticos, etc.);

• Privilegia páginas de organismos públicos de saúde como as do Ministério da Saúde, Direção Geral da Saúde, Sociedades Médicas, INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde), de Ordens Profissionais (Médicos, Farmacêuticos, Enfermeiros), de Associações de Doentes, procurando desta forma um “selo de qualidade” e níveis de confiança superiores;

• Atenta à atualização das páginas;

• Vê se existe propaganda e eventuais interesses comerciais na venda de produtos;

• Contrasta informação de vários sítios web;

• Limita as pesquisas online.

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Escrito por Jornalissimo
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