A maior batalha de comida do mundo

Uma hora, 160 mil tomates e 22 mil pessoas. Eis os números de “La Tomatina” deste ano, em Buñol, Espanha.

No início, de festa, não teve nada. “La Tomatina” surgiu porque, na última quarta-feira de agosto de 1945, um grupo de jovens armou confusão num desfile de gigantones e cabeçudos que houve nesse dia em Buñol, uma pequena localidade perto de Valencia.

Por causa deles, um participante caiu e iniciou-se uma escaramuça. Havia uma banca de venda de legumes por perto e (está-se mesmo a ver…) os tomates foram usados pelos desavindos como “arma”.

No ano seguinte, os jovens decidiram recriar o episódio, desta vez levando tomates de suas casas. A polícia pôs fim à brincadeira, nesse ano de 1946, e também nos seguintes, em que os jovens insistiram em repeti-la.

Mas a “batalha vegetal” ficou na memória da população, que acabaria por reavivá-la. E, como é fácil de imaginar, sendo uma festa que não é propriamente limpa, houve opositores entre os próprios habitantes de Buñol.

O certo é que a luta de tomates levou a melhor e foi-se profissionalizando, para que os danos não fossem tantos. Hoje, alguns edifícios das ruas em que se realiza “La Tomatina” são cobertos nos dias anteriores para não mudarem de cor, como os “combatentes”, que acabam alegremente tingidos de vermelho da cabeça aos pés.

Na década de 1980, a festa começou a atrair participantes de toda a Espanha e, de ano para ano, foi crescendo e ganhando projeção internacional.

Hoje, 60% dos participantes em “La Tomatina” são estrangeiros, muitos vêm de países bem longínquos, como a Austrália, o Japão ou os Estados Unidos, para viverem a experiência desta peculiar batalha. E, claro, acabam por visitar a Comunidade Valenciana e Espanha.

Em 2002, a Secretaria de Turismo espanhola declarou-a “Festa de Interesse Turístico Internacional”. “La Tomatina” tem a cobertura de órgãos-de-comunicação de todo o mundo e o sucesso é tal que já outras cidades, de outros países, a copiaram.

 

Mas, como em tudo, a “Tomatina” original tem outro sabor. Daí que a terra, com um número de habitantes inferior a dez mil, na altura da festa chegue a quadruplicar o número de visitantes.

Na realidade, é mais correto dizer “chegava”. A afluência foi tal que a organização se viu obrigada a estabelecer um número máximo de entradas. Podem participar “apenas” 22 mil pessoas, que compram bilhete para se divertirem como crianças durante uma hora, atirando os tomates que chegam em camiões umas às outras.

Claro que uma batalha que implica o desperdício de alimentos não se faz sem críticas. Este ano, por exemplo, a festa gerou grande indignação na Nigéria, onde há escassez de tomate e a polémica chegou a vários meios-de-comunicação social.

A organização defendeu-se, dizendo que os tomates que são utilizados na festa são cultivados expressamente para esse fim e não são aptos para consumo. 

Polémica à parte, a “Tomatina” dá sempre imagens espetaculares e, por isso, o festival já foi usado por grandes marcas, como a Samsung ou a Pepsi, para promover os seus produtos, como podes ver em seguida.

Antes, só queremos contar-te que algumas curiosidades. Apesar de a festa ser caótica, tem algumas regras. Por exemplo, não vale rasgar roupas e os tomates devem ser esmagados antes de atirados para não magoarem. Também são dados alguns conselhos, como o uso de calçado fechado ou de óculos de mergulho, porque (lê-se no site oficial da festa) “o ácido do tomate pode picar muito nos olhos”.

FOTOS: gioconda-ros (Instagram), shooonong8280 (Instagram), Valencia en tu mano (Facebook), Vimlesh Gupta (Facebook), Keriman Dadin (Facebook) – #LaTomatina2016

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