Sabias que é possível pintar a parte branca do olho?

Chama-se Eyeball Tattoo, começou a ser feita por Luna Cobra e já há países a fazerem campanhas públicas contra esta moda.

A membrana externa branca do olho chama-se esclerótica, já a membrana mucosa que forra o globo do olho e o une às pálpebras designa-se conjuntiva.

Não te queremos dar nenhuma lição de oftalmologia, mas para perceber como funciona a Eyeball Tattoo é preciso ter umas oções básicas sobre os olhos.

Luna Cobra, um dos mais conceituados artistas de modificação corporal do mundo, contou ao JORNALÍSSIMO que iniciou esta técnica há oito anos.

Aplicando uma injeção de tinta entre a esclerótica e a conjuntiva, ele consegue colorir de verde, azul, preto e muitas outras cores, a parte branca do olho.

A operação não demora mais de um minuto, já o resultado é para toda a vida, porque não há forma de voltar a pôr o olho branco.

Em Singapura, a moda do Eyeball pegou. A tal ponto que o Centro Nacional de Oftalmologia do país tomou uma posição a alertar para os perigos deste novo tipo de transformação corporal.

“Opomo-nos totalmente a esta prática já que a esclera pode ser um foco de infeção e essas infeções podem provocar a cegueira”, disse Donald Tan, representante do Centro, citado pelo jornal “The Straits Times”.

Ao JORNALÍSSIMO, Luna Cobra assegurou, por email, que todos os seus clientes estão “seguros”: “a técnica (da eyeball tattoo) tornou-se popular e muitas pessoas começaram a copiar o meu trabalho, ferindo a visão dos clientes e deixando mesmo alguns cegos”, explica.

Chester Lee, dono de um estúdio de tatuagens em Singapura, tem 28 anos e foi uma das muitas pessoas que recorreu a Luna Cobra para pintar o branco dos olhos.

Na página de Facebook do seu estúdio, o Fatboystattoo (de onde foi retirada a imagem acima – ele aparece de camisa azul, é o único com os olhos tatuados) partilha o artigo do “The Straits Times”, para o qual foi entrevistado.

Nele, diz que ficou com os olhos inchados, não parou de chorar durante um dia inteiro, mas depois os problemas desapareceram.

Luna Cobra fez-lhe a modificação na Austrália e Chester Lee contou ao jornal que foi alertado para que se tratava de uma tatuagem definitiva. O conceituado tatuador falou-lhe, ainda, das dificuldades que iria ter para encontrar emprego depois de fazer a alteração. Mas nada demoveu Lee.

Se tivesse falado com Chester Lee, a oftalmologista Lara Queirós tê-lo-ia desaconselhado a fazer esta intervenção, pois não vê a tatuagem escleral com bons olhos: “Apresenta riscos importantes, nomeadamente inflamação, infeção ou traumatismo”, já que é “um procedimento invasivo do globo ocular”.

A médica revela que, embora não haja conhecimento de nenhum caso em Portugal, “no mundo os especialistas já se têm deparado com complicações causadas por esta nova técnica”. Os estudos alertam para a possibilidade do pigmento penetrar no interior do globo ocular e causar graves problemas. Sendo algo de recente, Lara Queirós lembra, ainda, que “a toxicidade a médio e a longo prazo é uma incógnita”.

Melhor não arriscar, portanto.

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