O que acontece quando dois jovens produtores se juntam ao MC dos Mind da Gap?

Surge o álbum ‘Roger Plexico & Ace’, um dos momentos altos do hip-hop de 2015, sobre o qual os próprios nos falam.

Os produtores portugueses Slimcutz e Taseh têm dificuldade em encaixar o projeto a que deram vida num género musical. É ‘hip-hop’, sim, mas não é só hip-hop.
Afinal, a personagem que ambos criaram para dar nome ao disco é um tipo que correu mundo e foi incorporando outros sons no seu som (de funk, de house, de techno…).
O melhor é, enquanto lês a entrevista, ouvires o disco em ‘streaming’ aqui. Se ficares com vontade de ouvir (ou voltar a ouvir, já que ainda há pouco atuaram no Vodafone Mexefest) esse tal Roger Plexico com Ace ao vivo, fica a saber que os concertos de apresentação do álbum vão acontecer nos Maus Hábitos, no Porto, a 22 de janeiro e em Lisboa, no Musicbox, seis dias depois, a 28.

JORNALÍSSIMO – Mais tarde ou mais cedo este projeto tinha de acontecer? Slimcutz, já trabalhas há muitos anos tanto com o Taseh como com o Ace…
SLIMCUTZ – Claro que sim. Com o Taseh já há muito que estávamos envolvidos no trabalho um do outro. Com o Ace a relação começou com a minha entrada em ‘Mind da Gap’. A partir daí, a ideia de fazermos algo foi fazendo cada vez mais sentido.

J – Foste tu a desafiá-los? Como surgiu a ideia?
S – Sou capaz de ter sido eu a formalizar o convite tanto ao Taseh como ao Ace. Mas foram ambas as coisas naturais e não planeadas. Fazer um projeto com o Taseh era algo óbvio de acontecer. Com o Ace a primeira música que decidimos fazer correu tão bem, que chegámos à conclusão que fazia todo o sentido um álbum.

J – Porquê Roger Plexico?
S – Isso vais ter de perguntar aos pais dele… (risos)

J – Criaram uma personagem…
S e TASEH – Ele nunca nos contou a sua história desde o princípio, mas sabemos que é um cidadão do mundo, um viajante que absorveu o máximo de experiências que lhe foi possível. É um apaixonado pela música, um senhor misterioso mas em quem podemos confiar.

J – O que há de cada um de vocês em Roger?
S e T – Há um pouco de tudo obviamente, quase um super-herói. Ele é tão Taseh e tão Slimcutz que é a pessoa perfeita para nos mediar e nos fazer alcançar os resultados mais brilhantes.

J – E tu, Ace, dás-te bem com o Roger? Têm muitas afinidades?
ACE – Sim, a relação é saudável. Temos idades supostamente aproximadas e assistimos a algumas revoluções musicais simultaneamente. Temos ambos bom gosto e uma tendência para ambientes mais obscuros.

J – Ace, como foi trabalhar com dois “putos” com tantas cartas dadas?
A – Foi uma boa experiência para ambas as partes, creio eu. Aprendemos sempre alguma coisa em qualquer experiência e esta não foi exceção. Para mim foi um desafio de “posicionamento”, tentar enquadrar-me no projeto sem desfigurar a minha identidade e ao mesmo tempo não afirmando essa identidade em demasia, para não transformar o projeto num álbum de Ace com instrumentais “diferentes” do (meu) normal. De qualquer das formas, convém dizer que apesar das cartas dadas pelos dois “putos”, ainda lhes faltava a carta mais forte do baralho (risos).

J – Slimcutz e Taseh, como foi trabalhar com este “cota” de referência no mundo do hip-hop português?
S e T – Foi muito bom. O Ace é um artista que admiramos “desde 1919”, ou seja, desde que ouvimos hip-hop o Ace sempre esteve lá a “fechar o tasco”. Foi incrível poder convidá-lo para um álbum conjunto e trazê-lo para um ambiente completamente novo, foi recompensador e aprendemos todos uns com os outros.

J – Pela frescura das músicas, pela riqueza sonora, nota-se que o Roger Plexico é um tipo viajado, maduro, com várias experiências no currículo…Se tomassem o pulso ao hip-hop português, que diagnóstico faziam?
S e T – O conceito de ‘hip-hop’ está cada vez mais vasto e à semelhança do que está a acontecer com a música em geral, o acesso a ele está cada vez mais fácil. Está mais variado e mais maduro musicalmente.

J -Quais são as influências de Roger Plexico?
S e T – As influências surgem um pouco de todo o lado e de várias formas. Nascem do que ele viu e ouviu ao longo das décadas, e como já em cima dissemos, ele presenciou várias revoluções musicais.

J – Só mais uma coisa… Decidiram lançar o álbum em streaming através da BABOOM disponibilizando-o gratuitamente ao mundo. A partilha é o futuro? Mas os músicos também precisam de ter lucro. Como fazem?
S e T – Na Monster Jinx sempre tivemos a “bandeira” da distribuição gratuita de música.. Sempre preferimos oferecer os formatos digitais de tudo que lançamos apesar de alguns projetos terem edições físicas à venda. Tentamos que a compra esteja sempre associado a algo físico e não a um ficheiro digital.

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