Atualidade 17 maio 2016
Jamala usou a música como arma na edição de 2016 da Eurovisão | Foto: Eurovision.tv e Wikimedia Commons (mapa)

Jamala, a vencedora da Eurovisão, representante da Ucrânia, chamou a atenção para o drama vivido por este povo.

O Festival da Eurovisão foi sempre mais do que um simples festival da canção. Sendo visto em dezenas de países, muitos participantes aproveitam a oportunidade para usar a cantiga como arma e passar determinadas mensagens.

Foi assim com Portugal, por exemplo, quando, em 1973, Fernando Tordo foi cantar a "Tourada", com letra de Ary dos Santos. A canção era uma metáfora usada para criticar o decadente regime do Estado Novo.

Na edição deste ano, a Ucrânia voltou a aproveitar a música para passar uma mensagem política e conseguiu vencer o festival, provocando críticas e descontentamento por parte da Rússia.

A razão para esta posição russa é fácil de entender quando se percebe o teor da canção ucraniana.

«1944», interpretada por Jamala, fala da história dos Tártaros da Crimeia (povo com uma língua própria, o tártaro da Crimeia, e de maioria muçulmana, a que Jamala pertence) que, durante a II Guerra Mundial, foram deportados por Estaline, que os acusou de serem colaboradores dos nazis e os enviou para a Ásia Central, obrigando-os, assim, a deixar a sua Crimeia natal (a verde escuro), uma península no sul da Ucrânia.

 

A cantora Jamala é um bom exemplo do que aconteceu aos Tártaros da Crimeia. A sua família foi deportada para o Quirguistão (onde Jamala nasceu) e só regressou à Crimeia após o fim da União Soviética. Aqueles que regressaram foram, no entanto, uma minoria. Em 2001, apenas 12% dos habitantes da Crimeia eram tártaros.

A deportação de 1944 foi um episódio marcante para este povo que, no entanto, já estava a ser subjugado pelos russos há mais de cem anos. No final do século XVIII, em 1783, a Crimeia foi anexada pelo império russo e muitos tártaros começaram a abandonar aquela zona, no Mar Negro, onde viviam e estavam em maioria desde o século XV.

A Crimeia esteve sob domínio russo até 1954, ano em que passou a ser administrada pela então República Socialista Soviética da Ucrânia (que só deixou de ser uma república soviética em 1991).

Quando a União Soviética terminou, nasceu a República Autónoma da Crimeia, continuando a pertencer à Ucrânia. Mas, as tensões nunca abandonaram totalmente a pequena península do Mar Negro, que a Rússia queria recuperar.

Em 2014, a população da Crimeia foi chamada às urnas para se pronunciar sobre se queria continuar ligada à Ucrânia ou integrar a Federação Russa. A população optou por esta última hipótese, que a Comunidade Internacional nunca reconheceu, devido à forma como os russos conduziram todo este processo.

Entretanto, na Ucrânia, a guerra entre o exército e os separatistas pró-russos continua, dois anos depois de ter iniciado. Podes recordar neste artigo como tudo começou e quais os motivos que levam a que a Ucrânia seja alvo tanto do interesse da Europa como da Rússia. Se quiseres conhecer melhor o país lê estas 10 CURIOSIDADES SOBRE A UCRÂNIA.

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