A mudança da hora será mesmo uma questão de poupança de energia?

O Diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, Rui Jorge Agostinho, acha que não.

Esta noite, quando for uma da manhã, deves adiantar o relógio para as duas.

Como tudo na vida, tem vantagens e desvantagens. Perdes uma hora de sono mas, em compensação, os dias vão parecer-te mais longos, já que vai escurecer uma hora mais tarde.

A mudança da hora foi uma medida pensada primeiro nos Estados Unidos (a ideia é atribuída a um dos fundadores daquele país, Benjamin Franklin, que viveu no século XVIII) e adotada por vários países europeus durante a I Guerra Mundial (1914-1918). A Alemanha foi pioneira na sua adoção, tendo sido rapidamente seguida por estados amigos e inimigos.

UMA QUESTÃO DE CONFORTO

Se já pesquisaste sobre o assunto, leste certamente que na base da mudança da hora está uma questão de poupança de energia e de dinheiro. Certo? Talvez não.

Por telefone, o astrofísico e professor da Universidade de Lisboa, Rui Jorge Agostinho, disse ao JORNALÍSSIMO que “a mudança da hora, ainda hoje, não se consegue justificar com uma poupança de energia ou económica”. Este aforro, explica, corresponde a “números muito pequeninos”.

O também diretor do Observatório Astronómico de Lisboa lembra que, historicamente, esta medida se relaciona com o conforto das populações: “Por causa do esforço de guerra, faltavam recursos energéticos do lado civil. Para minorar o sofrimento das pessoas ajustou-se o horário de modo a estas terem condições mais agradáveis, de luz e temperatura”.

ALINHADOS COM A UE

Rui Jorge Agostinho é de opinião que, hoje, a mudança da hora acontece porque “faz as pessoas sentirem-se bem”, permitindo-as “trabalhar (ou estudar) com temperaturas mais agradáveis”.

Portugal (a Madeira nomeadamente), pela sua localização geográfica, não sente tanto a mudança da hora como os países mais afastados do Equador. No entanto, o astrofísico acha que faz sentido que o país continue a adiantar ou atrasar os ponteiros, na Primavera e no Outono.

Facilita, a seu ver, a “gestão de toda a atividade social” (o turismo, a agricultura, a economia…), ao estar alinhado com os restantes membros da União Europeia.

SABIAS QUE?

– No Brasil, a mudança para a hora de Verão acontece no terceiro domingo de fevereiro, mas é adiada se esse dia coincidir com o Carnaval. Foi o que aconteceu este ano, a mudança fez-se só no domingo seguinte;

– Em 2001, a UE lançou uma diretiva a estabelecer que a mudança da hora tem início em todos os países membros sempre à uma hora da manhã do último domingo de março e termina à mesma hora do último domingo de outubro;

– Nem todos os países alteram a hora na primavera e no outono. Entre os que o fazem, para além dos membros da UE, estão os Estados Unidos, o Canadá, o Chile e a Austrália;

– A Rússia, a China e a Argentina são alguns dos países que deixaram de mexer nos ponteiros do relógio e, no continente africano, a maioria dos países nunca mudou a hora.

Consulta os mapas com a evolução do número de horas de sol ao longo do ano na página do OAL.

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