Voto aos 16 anos: sim ou não?

A maioria dos jovens que responderam ao Jornalíssimo votou… “não”. A imaturidade é um argumento, mas há mais.

O vídeo que recebemos esta semana é original. Elsa, de 13 anos, vestiu a pele de repórter do Jornalíssimo e entrevistou dois colegas da mesma idade.
Neste vídeo, que podes ver já de seguida, o “sim” e o “não” empatam.
O mesmo não acontece com a entrevista que fomos fazer a cinco jovens da Escola de Santa Maria da Feira (com idades entre os 15 e os 17 anos) e cujas opiniões aqui transcrevemos, reproduzindo a conversa que se gerou em torno da questão inicial.
Dos cinco entrevistados, apenas um é de opinião que o voto deveria descer para os 16 anos. 

JORNALÍSSIMO – Achas que o direito de voto deveria descer para os 16 anos ou manter-se aos 18 anos?

Ruben, 17 anos – Na minha opinião, o voto aos 16 anos poderia abrir muito mais o horizonte para os jovens darem a sua opinião sobre o futuro do País. ‘A priori’, se eles tivessem conhecimento de que podiam interferir no futuro do País, obviamente iriam estar mais interessados em dar a sua opinião e contribuir para uma mudança.

Duarte, 16 anos – Eu não concordo com a passagem do voto para os 16 anos porque mesmo aos 18 anos há muita gente que não exerce o direito de votar. Aos 16 anos, votariam ainda menos porque não têm conhecimentos suficientes para decidir o rumo do País com o seu voto. Não via nada de promissor nessa passagem do direito de voto para os 16 anos se ela acontecesse.

Catarina, 15 anos – Não concordo com o voto aos 16 anos porque acho que nós não temos uma vida ativa no que toca à política, não estamos inteiramente por dentro desse tipo de assuntos e por isso não sinto que eu, nem o resto dos jovens, tenha maturidade suficiente para tomar esse passo, que tem impacto não só na nossa vida como na vida do resto da população.

Sara, 15 anos – Eu acho que nós, aos 16 anos, não temos ainda maturidade para votar e o desinteresse que os jovens mostram pelos jovens se reflete na abstenção. Mas também acho que esse desinteresse se deve ao facto de as campanhas políticas não serem tão dirigidas aos jovens. E portanto acho que, mesmo aos 18 anos, os jovens não se sentem muito motivados a votar por isso, por as políticas que são sugeridas não terem tanto a ver com eles. Talvez se houvesse voto aos 16 anos os políticos estivessem mais atentos à juventude, mas, mesmo assim, acho que os jovens não têm maturidade suficiente para votar.

Agostinho, 15 anos – Eu não sou a favor do voto aos 16 anos porque acho que nem aos 18 os jovens são ouvidos. Eles (os políticos) querem saber a opinião dos jovens, mas, quando alguém tenta mudar algo, é como se fosse um jogo que está muito viciado. Só aqueles que têm mais experiência é que são escolhidos e esses não querem saber dos jovens.

Jornalíssimo – E o que faria falta para os jovens se interessarem mais pela política?

Ruben, 17 anos – Era importante que houvesse formação acerca dos ideais políticos, dos programas dos vários partidos. Os jovens quando acham algo difícil deixam de lado, não procuram saber mais. Fazia falta simplificar mais as informações que passam nos media e nas redes sociais, isso ia mobilizar mais os jovens.

Sara, 15 anos – Concordo. Acho que parte muito de informar mais os jovens e de torná-los mais interessados pelos assuntos, devia haver mais informação dada pelo Governo. Acho que contribuiria bastante para os jovens contribuírem ativamente para a política.

Agostinho, 15 – Eu acho que o problema não vem dos políticos, mas do povo. É como os programas de televisão. Só há programas de televisão maus se o público for mau. Por isso tem de ser primeiro o povo a mudar e depois os políticos. Nós somos os futuros adultos e podemos marcar a diferença, mas se temos um povo que só quer os outros e não acredita na mudança não faz efeito.

Jornalíssimo – Como se muda este estado de coisas?

Catarina, 15 anos – A partir do momento em que temos pessoas à nossa frente que não são exemplos para nós, nós perdemos todo o interesse. Quando eu tenho à frente alguém que seja um exemplo a seguir, eu mostro-me muito mais interessada, neste caso em relação à política.

Sara, 15 anos – Em Portugal há muitas críticas e poucas sugestões. Acho que partia muito, em primeiro lugar, de informar as pessoas e, em segundo, de procurar que elas fossem mais ativas, que sugerissem mais e criticassem menos. As pessoas da nossa idade não se identificam com os políticos porque não sugerem coisas que achemos que vão fazer a mudança. Daí a taxa de abstenção ser tão elevada entre os jovens.

Duarte, 16 anos – (Os jovens) Não sentem necessidade de votar porque não sentem que tenham grande poder no sentido de mudar a forma como as coisas estão. Além disso, muitos deles saem do País e não sentem um patriotismo que os leve a querer ficar cá e a mudar o País. Sentem que lá fora está melhor e vão para lá. EM vez de trazer o que está bem lá fora para cá, vão para fora.

Catarina, 15 anos – Falta amor pelo País, falta sentir amor de cá viver. Nós crescemos a ouvir tudo o que de mal há sobre o nosso País, não crescemos a ouvir que temos de crescer, estudar e ficar cá para melhorar o País, para inovar. Ouvimos precisamente o contrário “tu estudas e emigras porque aqui não há trabalho e aqui não é vida para ninguém”.

Sara, 15 anos – Já se começa a ver que alguns jovens regressam com novas ideias e tentam inovar no País, mas ainda há muitos que querem emigrar e fazer a vida no exterior. Também acho que é a questão de os jovens não darem tanto valor à liberdade de expressão, por não termos tido aquela experiência de viver num País em que ela não existia. Apesar de termos dado isso na escola, acho que em geral eles (os jovens) não sentem tanta necessidade de dar tanto valor ao que temos agora.

Agostinho, 15 – Não concordo. Como é que os jovens podem querer ficar cá em Portugal se nós estamos, por exemplo, a tentar formar a nossa opinião, a tentar tirar um curso e ouvimos que os jovens estão desempregados e têm de ir procurar emprego lá fora?

Duarte, 16 anos – É um ciclo vicioso, tem de começar num sítio para haver uma mudança. Se uns defendem que a culpa é dos jovens porque eles não mudam, outros defendem que a culpa é do País porque não motiva os jovens a uma mudança. Temos de perceber que temos de mudar por algum lado. Não podemos ficar à espera que os outros mudem quando nós não começamos essa mudança. A mudança tem de começar por nós e depois incentivar os outros a seguir-nos e não esperar que os outros façam para irmos atrás deles.

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