Vêm aí as quintas verticais?

Nos Estados Unidos ou no Japão já há empresas a cultivarem legumes em altura nas grandes cidades.

Nos Estados Unidos, a maior quinta vertical (‘vertical farm’, na designação inglesa) fica em Chicago. Em Chicago mesmo, na cidade. A FarmedHere produz legumes em grandes quantidades com um conceito futurista.

A produção é feita num espaço fechado, amplo – imagina um grande armazém -, onde os alimentos são cultivados numa espécie de prateleiras gigantes, que se encontram sobrepostas umas às outras.

O facto de o cultivo ser feito num espaço fechado permite controlar as condições de luminosidade e de temperatura. Ou seja, independentemente do tempo que faça no exterior, as ervas e os legumes têm as condições ideais para crescer. E crescem durante todo o ano.

Não é só pelas hortas em altura que esta estrutura é inovadora. A técnica de produção agrícola utilizada é, também ela, surpreendente: as alfaces, os espinafres, o manjericão ou a rúcula que ali se cultivam não estão plantados em terra, mas… em água.

Será que já ouviste falar em ‘aquaponia‘? É um método que conjuga a criação de peixes em viveiro (aquacultura) com o cultivo de plantas sobre a água (hidroponia).

De uma forma simples, digamos que é um sistema integrado e dinâmico, em que os resíduos dos peixes servem como nutrientes para as plantas e as plantas devolvem a água aos peixes já filtrada.

Não são precisos fertilizantes e, tratando-se de um ambiente fechado e controlado, não há o risco de a produção ser afetada por uma praga qualquer.

As vantagens são inúmeras: além da produção ser possível durante todo o ano, o consumo de água com a ‘aquaponia’ chega a ser 90% inferior ao da agricultura tradicional. A poupança de espaço, com este sistema vertical, é evidente.

Mas os benefícios para o ambiente não se ficam por aqui. Ao permitir o cultivo em grande quantidade nas cidades, este modelo de agricultura reduz drasticamente as emissões de dióxido de carbono, já que a distância entre produtor e consumidor se torna muito pequena, encurtando também o tempo de transporte.

Com isso, os consumidores têm acesso a produtos muito mais frescos, que não viajaram milhares de quilómetros até chegar ao frigorífico lá de casa. Além disso, menos transporte e menos água significam menores custos de produção e, logo, um preço final mais barato.

Há quem defenda que a agricultura vertical pode resolver o problema da fome no mundo. O conceito foi pensado por Dickson Despommier, um professor universitário norte-americano, que vê nele uma forma de responder a alguns dos maiores desafios atuais no campo da produção de alimentos: a escassez de áreas cultiváveis e de água, por um lado e o impacto das alterações climáticas na produção agrícola, por outro.

O modelo preconizado por Despommier é diferente do que aqui apresentámos. Ele imaginou as “quintas verticais” não com prateleiras, mas como autênticos prédios, em que os andares são áreas de cultivo e em que até o lixo produzido nas cidades seria reaproveitado para produzir energia para a iluminação destas estufas XXL.

Se te interessas pelo tema, vale a pena ouvir a apresentação feita por Despommier no TEDx. Aconselhamos-te, ainda, a leitura deste artigo sobre a produção de alimentos em estufas no fundo do mar, uma experiência que está a ser realizada em Itália.

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