Nas aulas, de arma no bolso

O Texas é o último estado norte-americano a permitir a estudantes e professores andar armados.

A relação dos norte-americanos com as armas é difícil de compreender aos olhos dos europeus, habituados a vê-las apenas nas mãos das autoridades.

Nos Estados Unidos, é a própria Constituição a dar aos cidadãos o direito a andarem armados. Um direito que vem já de finais do século XVIII.

Os sucessivos massacres com armas de fogo no país – o ataque a uma igreja, há dias, por um jovem de 21 anos foi apenas o último – não têm levado a restringir o acesso ao armamento.

Dir-se-ia que, pelo contrário, em alguns estados esse direito até tem vindo a ser alargado. No início do mês, o Texas aprovou um documento que, em breve, se tornará lei, segundo o qual professores e alunos maiores de 21 anos poderão levar armas para dentro das universidades (salas de aula, cantinas, lares), desde que estas o autorizem.

A iniciativa não é inovadora. Há já sete estados onde tal já é permitido: Colorado, Idaho, Kansas, Mississippi, Oregon, Utah e Wisconsin.

Barack Obama tem falado várias vezes da necessidade de reforçar o controlo e a posse de armas no país. Sem sucesso. As suas iniciativas nesse sentido esbarram no Congresso norte-americano e no forte poder das associações pró-armas. 

O apego que os norte-americanos têm a espingardas, pistolas e afins está bem patente num estudo de 2007, o ‘Small Arms Survey’, citado pela BBC. Nele, dá-se conta da existência de 88,8 armas de fogo para cada cem norte-americanos. Quase uma por habitante!

Os defensores dizem que as armas dão mais segurança às pessoas e as tornam menos vulneráveis a ataques. Vendo as constantes notícias de massacres que nos chegam dos Estados Unidos, porém, ninguém diria.  

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