A árvore da vida foi redesenhada e a culpa é das bactérias

Darwin iria gostar de ver o novo esquema que representa a ligação entre todos os seres vivos que habitam a Terra.

Depois de, em 1859, Charles Darwin ter escrito a “Origem das Espécies” e apresentado ao mundo a sua Teoria da Evolução, a forma como olhamos a vida nunca mais foi a mesma. 

O naturalista inglês (se fosse vivo teria 207 anos) chocou a sociedade do século XIX ao defender que todos os organismos, tanto os vivos, como os fossilizados, tinham uma origem comum.

E nessa altura não se conhecia, ainda, o que o estudo científico publicado este mês revela: que um terço de toda a biodiversidade provém de bactérias, outro terço de bactérias não cultiváveis e um pouco menos de outro terço de ‘archaea’ e eucariotas (já te explicamos o que são mais à frente).

O QUE É A ÁRVORE DA VIDA?

A partir dessa raiz comum, defendia Darwin, os organismos vivos foram evoluindo de modo diferente, adaptando-se ao meio através de uma seleção natural.  Este foi o esboço da árvore da vida, feito pelo naturalista no seu bloco de notas.

Para mostrar a sua teoria, Darwin imaginou em 1837 uma grande árvore (também designada por árvore filogenética, que se relaciona com a sucessão genética das espécies orgânicas), em que o Homem era apenas um ramo – ao lado de uma diversidade de plantas e animais existentes na Terra -, onde todos os organismos apresentam relações de parentesco entre si.

Nessa árvore, cada ser vivo ocupa uma posição diferente, em função da evolução sofrida, com um nível de complexidade que vai aumentando à medida que o tempo passa, originando um número crescente de ramos. Um exemplo? Organismos monocelulares, pluricelulares, mamíferos, macaco, homem. 

UMA ÁRVORE EM CRESCIMENTO

Com o avanço da ciência e da tecnologia, a árvore da vida tem vindo a tornar-se ainda mais complexa.

Investigadores dos Estados Unidos e do Canadá, das Universidades de Califórnia e de Waterloo respetivamente, acabam de atualizá-la, depois de, nos últimos 15 anos, terem descoberto mil novos tipos de bactérias (de locais tão diferentes, como sejam o interior da boca de um golfinho ou uma salina do deserto de Atacama, no Chile!) – conhecidos apenas pelos seus genomas.

A nova árvore foi publicada este mês na revista ‘Nature Microbiology’ e vem dar força à ideia de que a vida que nós, humanos, vemos à nossa volta equivale apenas a uma ínfima percentagem da biodiversidade existente.

Uma das investigadoras envolvidas neste trabalho, Jill Banfield, explicou que o grupo dos organismos procariotas (unicelulares, cujo núcleo não está nitidamente separado do citoplasma), como as bactérias, compreendem a maioria da diversidade da vida.

TANTAS DESCOBERTAS! E AGORA?

A existência de alguns dos 1011 tipos de bactéria agora introduzidos era já conhecida dos investigadores, mas não podiam ser sequenciados por não ser possível isolá-los e cultivá-los em laboratório (uma vez que, para viver precisam de outros organismos, como micróbios). A evolução da ciência veio tirá-los da sombra ao permitir sequenciá-los diretamente no meio ambiente. 

O novo mapa da biodiversidade é o que vês na imagem acima – numa representação artística de Zosia Rostomian, do Lawrence Berkeley National Laboratory -, com os vários grupos de bactérias à esquerda, as bactérias não cultiváveis em cima à direita (a roxo), os ‘archae’ (organismos que vivem em condições adversas extremas, como altas temperaturas) e os eucariotas, onde, na parte mais inferior à direita, estamos nós, homens, animais e plantas. 

Estás a perguntar a quem vão servir estas descobertas? A investigadora que citámos atrás, Jill Benfield, responde: “a nova representação será útil não só a biólogos que estudam a ecologia microbiana, como também a bioquímicos na busca de novos genes e a investigadores que estudam a evolução e a história da Terra”.

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