Um passeio musicado pela geografia da Europa

Onde se fica a conhecer a mais alta montanha do continente, os vulcões ativos, os mais importantes rios, uma longa lista de mares e muitas outras curiosidades.

Por Carlos Ribeiro Medeiros* – Centro de Informação Europeia Jacques Delors

A Europa como continente, e do estrito ponto de vista da geografia física, não é mais que um conjunto de penínsulas, golfos, arquipélagos e ilhas que constitui uma grande península ocidental da Ásia, ou melhor, da Eurásia. Já no que respeita à geografia humana, tudo é diferente. Este pequeno conjunto de cerca de 50 estados, mais ou menos interligados entre si, teve e continua a ter um papel chave na história do planeta. Mas já lá vamos.

A Europa encontra-se no Hemisfério Norte, localizada maioritariamente entre o Trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico e integrando a Zona Temperada do Norte. Esta localização faz com que o continente europeu apresente, na maior parte do seu território, um clima temperado quase perfeito com as quatro estações do ano bem definidas (e porque não ouvir os conhecidos quatro concertos para violino de Vivaldi?) e sem excessos de temperatura, chuva ou neve. Claro que mais a Norte ou em altitude se registam temperaturas bem mais baixas e na zona de transição para os climas desérticos (Portugal, sim) chegamos, em Verões mais extremos, a temperaturas acima dos 40 graus centígrados.

Os ambientes biogeográficos existentes na Europa evidenciam florestas mediterrânicas onde predomina a folha persistente; florestas caducifólias, composta por árvores de folha caduca; florestas mistas e florestas de coníferas (ou taiga). Encontramos igualmente pradarias ou estepe, prados, tundra, maquis e guarrige que correspondem a diferentes níveis de degradação das florestas originais. A violenta exploração humana de séculos anteriores e as alterações climatéricas em curso, vieram alterar profundamente estes ambientes geográficos.

A altitude média do continente europeu é de 340m, sendo muito fácil de identificar duas regiões orográficas principais – a setentrional onde encontramos essencialmente planícies que representam dois terços do território e são, em grande parte, constituídas por planícies fluviais e a meridional constituída por montanhas jovens, de altitude elevada e com declives acentuados. 

É no sul da Europa que vamos encontrar cordilheiras como os Pirenéus, os Alpes, os Apeninos, os Cárpatos, os Balcãs, o Cáucaso, entre outras, e vulcões ainda ativos como o Etna, o Stromboli, o Vesúvio e em Santorini. Esta atividade geológica torna a região particularmente vulnerável a tremores de terra. A montanha mais alta da Europa é o Monte Elbrus no Cáucaso, situada na Rússia perto da fronteira com a Geórgia. 

A hidrografia da Europa é marcada pela grande quantidade de rios, lagos e mares interiores. Os principais rios do continente europeu são o Volga (mais de 3 500 km de comprimento) que nasce na planície europeia oriental e o Danúbio (mais de 2 800 km de comprimento) que nasce nos Alpes alemães e deu nome a um dos temas mais conhecidos da música clássica, o famoso Sobre o belo Danúbio Azul. Muitas capitais europeias são banhadas por rios, caso de Londres (Tamisa), Paris (Sena), Lisboa (Tejo), Roma (Tibre) e Viena, Budapeste e Belgrado (Danúbio).

Além dos rios, existem na Europa mais de 500 000 lagos naturais, localizados maioritariamente na Europa do Norte. Dois dos maiores lagos europeus, os lagos Ladoga e Onega, encontram-se no noroeste da Rússia. Mas atenção também à longa lista de mares que rodeiam ou que se encontram no interior da Europa: Mar da Groenlândia; Mar de Barents; Mar da Noruega; Mar Branco; Mar do Norte; Mar Báltico; Mar Azov; Mar Negro; Mar Adriático; Mar Mediterrânico; Mar Tirreno; Mar Jónico; Mar Egeu…

Mas de que serviria este pequeno oásis de pouco mais de 10 milhões de quilómetros quadrados, azul (cor da água, cor da Europa) e abençoado por deuses celtas, gregos, romanos, nórdicos e todos os monoteístas, sem as pessoas, as famílias, as empresas e as instituições? Saber a população absoluta da Europa (pouco mais de 740 milhões) já não interessa muito, o que é relevante é saber que dos 25 % da população mundial no séc. XIX, passámos para pouco mais de dez por cento nestes alvores do séc. XXI. E que somos uma espantosa mistura de pessoas que evidenciam índices educacionais e culturais acima da média, um nível de vida invejável, uma cidadania plena de direitos e que vivemos em sociedades plurais, democratas e livres mas somos cada vez mais velhos e quase, quase sem descendência!

(*) A rubrica “História e Europa” é publicada ao dia 20 de cada mês e dedicada às ideias e aos protagonistas do projeto europeu. Resulta de uma parceria entre o Instituto de História Contemporânea da Universidade de Lisboa (IHC – UNL) e o Jornalíssimo e tem a coordenação científica de Isabel Baltazar e Alice Cunha, doutoradas em História pelo IHC-UNL.

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