Carnaval: máscara para quê?

Em Paraty, no Brasil, o bizarro “Bloco da Lama” faz furor e luta por causas ambientais.

Por estes dias, na cidade colonial no sul do estado do Rio de Janeiro, muitos turistas se assustam com seres que parecem vindos diretamente da pré-história.

Hoje, só os mais desprevenidos apanham sustos quando os vêem, porque o “Bloco da Lama” já tem fama em todo o Brasil e atrai gente de várias partes do país e até do estrangeiro.

O disfarce dos membros do “Bloco da Lama” não dá muito trabalho: basta pôr biquini ou calções e mergulhar no terreno (mangue) pantanoso de uma praia da cidade para se ficar mascarado.

A história deste Carnaval enlameado começa em 1986 quando dois amigos foram apanhar caranguejos para o mangue do Jabaquara. Para se protegerem de picadas de insectos, espalharam lama por todo o corpo. Ficaram irreconhecíveis e, como o Carnaval estava à porta, decidiram sair assim pela cidade. Foi um sucesso.

Hoje, quem quiser, pode caprichar no disfarce, juntando elementos naturais, como ossos. Os membros do Bloco querem mesmo parecer pré-históricos e, além disso, têm uma grande preocupação ambiental. O protagonismo é aproveitado para chamar a atenção dos manguezais (os tais terrenos pantanosos) no ecossistema da região.

Gritando “Uga, Uga, Rá, Rá”, o Bloco enche de alegria as ruas empedradas da cidade que, no séculoo XVIII, tinha um importante porto, de onde saia ouro e pedras preciosas para Portugal.

São tantos os participantes no Bloco, que os organizadores e a Secretaria de Paraty têm vindo a fazer campanhas para os participantes não sujarem paredes, carros ou turistas durante o percurso.

A encabeçar os foliões vai um andor com caveiras de boi ornamentados. Atrás, os enlameados mascarados fazem coreografias e representações teatrais, com muito improviso à mistura.

Tudo termina com um banho de água doce no Rio Perequeaçú ou de água salgada na Praia do Pontal.

CURIOSIDADES:

– rica em iodo e enxofre, a lama da praia de Jabaquara dá aos foliões um tratamento de pele;

– o bloco já foi tema de uma tese de doutoramento, que o considerou “a maior manifestação teatral espontânea ao ar livre” realizada no Brasil;

– em 1986, alguns membros participaram num protesto contra a Central Nuclear de Angra 2, apresentando-se como vítimas de Chernobyl.

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