Atualidade 09 fevereiro 2015
Poderá a Guerra Civil na Ucrânia extravasar fronteiras? | Foto: Steve Evans/Creative Commons

Se te perdeste entre tantas notícias sobre o país, lê este apanhado, na semana em que há novos esforços para alcançar a paz na Ucrânia.

A Ucrânia é o segundo maior país da Europa. Tem uma área equivalente à da Península Ibérica. Mas, mais do que a dimensão, é sobretudo a sua localização estratégica a torná-la alvo do interesse quer da Europa, quer da Rússia. 

Se a Europa vê a Ucrânia como uma porta de entrada no Oriente; a Rússia, pelo contrário, vê no país, simultaneamente, uma ligação ao Ocidente e uma proteção contra ele. Mas há outros fatores. O solo fértil, as reservas de carvão e de minérios de titânio (essencial para a produção de aço) são, também, responsáveis pelo interesse que a ex-República soviética (a Ucrânia só se tornou independente em 1991) desperta.

No interior da Ucrânia, os cidadãos estão divididos. Uns são apologistas de uma aproximação à União Europeia e de um afastamento da Rússia, país em relação ao qual muitos habitantes nutrem sentimentos de ódio por episódios vividos durante a ocupação soviética. Outros ucranianos, muitos de origem russa, querem reforçar a aliança com Moscovo e não pôr em risco questões como o abastecimento de gás ao país (70% do gás natural consumido na Ucrânia é russo).

A MAIOR MANIFESTAÇÃO PRÓ-EUROPEÍSTA DE SEMPRE

Antes de percebermos por que as conversações de paz são tão importantes, convém lembrar como tudo começou, o que nos obriga a recuar até novembro de 2013. Nesse mês, o governo ucraniano, então presidido por Viktor Yanukovytch, do Partido das Regiões (pró-russo), suspendeu a assinatura de um acordo de associação e livre comércio entre a Ucrânia e a União Europeia. 

Grande parte dos ucranianos, que via numa aproximação à Europa a solução para os problemas económicos do país, não gostou e veio para a rua manifestar-se. Inicialmente, eram sobretudo jovens universitários. Em pouco tempo, vários setores da população se juntaram a eles, para expressar descontentamento com o partido no poder.  

As manifestações duraram três meses e uma centena de pessoas morreu nos confrontos que houve entre manifestantes e polícia. Este período ficou conhecido como "Euromaidan" e terminou a 21 de fevereiro de 2014, com o derrube do governo de Viktor Yanukovytch. 

A SUBTRAÇÃO DA CRIMEIA

Foto: Marcin Bajer/Creative Commons

A queda do Presidente não resolveu, porém, os problemas. A Ucrânia permaneceu um país dividido. Em resposta ao "Euromaidan", os separatistas pró-russos - sobretudo ucranianos habitantes das zonas leste e sul do país - iniciaram, por sua vez, uma série de protestos. 

Em março, a Crimeia, uma república autónoma no sul da Ucrânia, realizou um referendo e a população decidiu que queria ser anexada à Federação Russa. Foi isso que aconteceu, apesar da Comunidade Internacional não reconhecer esta decisão. A leste, na província de Donetsk, os protestos continuaram.  

Em Maio, a Ucrânia foi a votos para encontrar o seu novo presidente. Apesar de mais de três quartos dos eleitores terem votado em Petro Poroshenko e na sua visão pró-ocidental, a guerra civil não parou.

MILHARES EM FUGA

Na província de Donetsk, já várias pessoas morreram, entre elas civis. O porta-voz do Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, falou, há dias, numa "tragédia humanitária", contabilizando um milhão e 600 mil pessoas a verem-se forçadas a deixar as casas e partir para outras regiões ou países vizinhos. Os que se recusam a partir lutam diariamente pela sobrevivência, sem água, nem eletricidade, numa zona onde os invernos são rigorosos.

Perante os violentos combates, os Estados Unidos ponderam agora fornecer armamento a Kiev, a capital do país (até aqui o apoio de Obama à Ucrânia tinha-se traduzido apenas em dinheiro e material militar de defesa). Apesar de Vladimir Putin, o presidente russo, negar, pensa-se que a Rússia tem também vindo a oferecer armamento aos separatistas ucranianos. 

CONFLITO MUNDIAL?

Receia-se que o envolvimento ativo do Ocidente e da Rússia na Guerra da Ucrânia faça com que o conflito deixe de se restringir só à região e alastre a outras zonas do globo. 

Daí, o mundo estar de olhos postos no encontro que esta quarta-feira, 11, vai juntar em Minsk, capital da Bielorrússia, os líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia. Paz à vista? 

Se quiseres saber mais sobre o país lê este artigo com 10 CURIOSIDADES SOBRE A UCRÂNIA. No sul do país, fica a Crimeia. Conhece o povo que habitou esta península durante séculos e que hoje está em minoria nessa zona em QUEM SÃO OS TÁRTAROS DA CRIMEIA?

 

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